A Concha Acústica de Itabira foi palco, na noite da última sexta-feira (11), de um dos shows mais aguardados do 51º Festival de Inverno de Itabira. Lenine, um dos maiores nomes da música popular brasileira, voltou à cidade após mais de uma década para celebrar a arte, a poesia e, claro, a obra de Carlos Drummond de Andrade.
Antes de subir ao palco, o artista conversou com a reportagem do portal DeFato Online e destacou a importância de eventos como o Festival de Inverno. “É fundamental, ainda mais para esse pretexto e essa égide de ser Carlos Drummond de Andrade. Rapaz, isso é um orixá. O Drummond é uma espécie de orixá, cara”, afirmou. “Já tem essa grande importância histórica, poética, vernacular, de Itabira ser um berço dele. E todo mundo conhece Itabira por causa de Drummond”, completou o artista, que já havia se apresentado na cidade durante o centenário do poeta, em 2002.
Lenine também foi questionado sobre o novo álbum, “Eita”, previsto para ser lançado ainda este ano. Reservado, evitou antecipar detalhes: “Eu vou lançar, até o final do ano eu vou lançar. Aí, quando eu fizer isso, eu vou ter muita coisa para falar, senão está me adiantando”, esquivou-se entre gargalhadas.
Conhecido pelo forte posicionamento em temas sociais e ambientais, o cantor reforçou o papel transformador da música. “Não só nesses tempos, em todos os tempos a cultura é a expressão de uma região, de um ajuntamento de pessoas. Então, nesse caso, a música, especialmente no Brasil, ganhou uma amplitude. Ela passou a não só entreter, eu tenho essa percepção que o que eu faço vai além de entreter, porque tem a ver com informação, tem a ver com educação”, explicou. “No momento em que a gente está vivendo essa radicalidade tão grande, o planeta pedindo ajuda e ninguém fazendo nada por ele”.
Com um show que reuniu sucessos consagrados da carreira e reafirmou seu compromisso com a arte engajada, Lenine emocionou o público itabirano e deixou uma mensagem clara: música também é resistência, memória e esperança.

