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Festival Fala Quilombo leva cerca de 6 mil pessoas ao centro de Itabira e celebra resistência cultural; confira

Festival Fala Quilombo leva cerca de 6 mil pessoas ao centro de Itabira e celebra resistência cultural; confira

Foto: Fala Quilombo

Entre os dias 26 e 28 de setembro, aconteceu em Itabira a 4ª edição do Festival Fala Quilombo, realizado pelo Instituto Fala Quilombo. Considerado o maior encontro cultural quilombola, indígena e periférico de Minas Gerais, o evento reuniu cerca de 90 comunidades no centro da cidade, com uma programação gratuita que mesclou oficinas, debates, apresentações culturais e shows.

“Um festival que precisa acontecer”

Para Lydiane Souza, mestranda em Antropologia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e produtora executiva do evento, o Fala Quilombo é resultado de anos de resistência e trabalho coletivo. “Foi um grande desafio. Conseguimos colocar mais uma edição na rua. É emocionante ver a chegada das comunidades e perceber que o festival segue existindo porque precisa existir”, destacou.

Participante desde a primeira edição, Lydiane também reforçou a importância da mudança de local: “As edições anteriores foram na universidade, mas entendemos que era hora de ocupar o centro. Foi a primeira vez que vi tanta gente preta e periférica nesse espaço. Isso é político, é resistência. O Fala pertence às comunidades e também à população de Itabira”.

Ela ainda destacou o papel transformador do encontro, ressaltando que o Fala Quilombo vai além da celebração cultural e se torna um espaço de imaginação política e de futuro. Para elam além de conectar diversar comunidades, o festival constrói uma visão de mundo coletiva, onde a ancestralidade guia novos caminhos de resistência. “O festival projeta o futuro que queremos: coletivo, confluente, extremamente preto, indígena e periférico. Se o racismo se sofisticou, o que fazemos aqui é uma sofisticação maior ainda das tecnologias de resistência ancestral”, afirmou.

Foto: Fala Quilombo/Giovanna Victoria

“Um encontro que fortalece lideranças”

A coordenadora da Comissão das Comunidades Quilombolas do Rio Doce, Marlene Matheus, ressaltou que o evento é aguardado durante todo o ano pelas comunidades. “Tivemos a presença de mais de 90 comunidades confirmadas. Apesar das dificuldades com transporte, foi uma edição maravilhosa. Esse encontro fortalece nossas lideranças, que voltam para seus territórios com mais energia para continuar seus trabalhos”, afirmou.

Marlene também comentou sobre a união entre quilombolas, indígenas e comunidades periféricas: “Essa mistura deu ainda mais força ao movimento. Quando a gente se une, consegue combater o sistema que nos oprime e exclui o tempo inteiro”.

Sobre o evento

A programação não foi definida por um único olhar: ela nasceu de uma curadoria compartilhada entre artistas, coletivos e lideranças comunitárias. Essa construção coletiva garantiu a diversidade de atividades, com oficinas de graffiti e pintura afroindígena, apresentações culturais, shows e rodas de conversa.

 

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