O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou ao USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), nesta quinta-feira (2), uma manifestação de 86 páginas propondo ao governo norte-americano a não implementação imediata das tarifas de 25% previstas contra os produtos brasileiros, e sugeriu um período de negociação entre os dois países antes da entrada em vigor de qualquer medida.
Nas páginas 17 e 18 do documento, o senador não pede o cancelamento das tarifas, mas propõe um mecanismo de snapback (retorno automático), que funcionaria como um último recurso na tentativa de acordo, sugerindo que as medidas fiquem suspensas por até 180 dias enquanto o Brasil e os Estados Unidos buscariam uma solução negociada, com o prazo podendo ser estendido por mais noventa dias em caso de as negociações apresentarem progressos e fossem conduzidos de boa-fé. Sem progresso, as tarifas voltariam a ser aplicadas automaticamente.
No documento, Flávio afirma que medidas tarifárias anteriores não alteraram o comportamento das autoridades brasileiras e acabaram fortalecendo politicamente o governo Lula.
“Pesquisas de opinião pública brasileiras mostram que a posição eleitoral do atual governo se fortaleceu precisamente durante os períodos em que a pressão tarifárias dos EUA foi mais evidente”.
A proposta foi apresentada durante a investigação conduzida pelos norte-americanos com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que apura práticas tidas como prejudiciais aos interesses dos EUA. Entre os pontos citados pelos Estados Unidos ao Brasil estão o comércio digital, PIX, tarifas, corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento.
Além do argumento político, Flávio sustenta que a própria legislação americana permite adiar a implementação de determinadas medidas por até 180 dias caso haja interesse econômico nacional e negociações relevantes em andamento ou prestes a começar, e que tarifas amplas poderiam trazer custos para a própria economia norte-americana, além de afetar investidores e cadeias produtivas ligadas ao comércio bilateral.
*Fonte: Poder 360

