Site icon DeFato Online

Fome em Gaza ataca também médicos que socorrem feridos

Foto: Médicos sem Fronteiras/Divulgação

Em relatos à CNN, médicos em Gaza falam sobre a vida nos hospitais com a crise da fome na região sob ataque de Israel.

Enquanto socorrem as vítimas dos ferimentos provocados pelos ataques israelenses e da fome que assola a população local, eles próprios padecem do mesmo mal, a carência de comida no dia a dia.

Segundo o médico Mohammad Sager, ele está tão faminto que às vezes encontra dificuldade em se manter de pé enquanto atende os pacientes graves no Hospital Nasser, no sul da Faixa de Gaza, e conta que na quinta-feira (24), ele desmaiou enquanto trabalhava na enfermaria, mas, que ao se recuperar, voltou para concluir o plantão de 24 horas.

“Meus colegas médicos me pegaram antes que eu desmaiasse e me deram soro intravenoso e (açúcar). Havia um médico estrangeiro que tinha um pacote de suco Tang e preparou para mim. Eu bebi imediatamente. Não sou diabético. Era fome. Não havia açúcar. Não havia comida”.

Seu colega Fadel Naim, cirurgião e diretor do hospital Al-Ahli Al-Arabi, no norte de Gaza, relatou à CNN que muitos dos seus colegas caíram de fome e desnutrição, inclusive com o desmaio de dois médicos durante cirurgias.

“Como diretor do hospital, uma das minhas tarefas é encontrar comida para a equipe …não estamos recebendo comida suficiente. Se fizermos uma refeição por dia, temos sorte, e a maioria das pessoas (no hospital) trabalha 24 horas por dia, 7 dias por semana. é muito difícil continuar assim”.

O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Antônio Guterres, reiterou sua condenação pelo ataques do Hamas em 7 de outubro, mas disse que “nada pode justificar a explosão de mortes e destruição desde então”. Guterres pediu uma ação imediata na Faixa de Gaza, para conter a fome, nesta sexta-feira (25).

“É uma crise moral que desafia a consciência global. Continuaremos a nos manifestar em todas as oportunidades, mas palavras não alimentam crianças famintas”.

Enquanto os casos de desnutrição aumentam na Faixa de Gaza, o comissário-geral Philippe Lazzarini, da UNRWA, principal agência da ONU para refugiados palestinos, disse na rede social que “O povo de Gaza não está morto (nem vivo), são cadáveres ambulantes. Um colega em Gaza me disse esta manhã”.

*Fonte: CNN

 

Exit mobile version