O aumento no número de denúncias e prisões relacionadas a crimes de violência sexual em Itabira não reflete, necessariamente, um crescimento dos casos, mas sim a maior eficácia da rede de acolhimento e dos serviços de proteção às vítimas. A avaliação é do delegado da Polícia Civil, João Martins Teixeira, que também é responsável pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).
Segundo João Martins, a criação e o fortalecimento de uma rede estruturada de atendimento — especialmente com o serviço implantado no Hospital Municipal Carlos Chagas (HMCC) — têm sido determinantes para que mais vítimas procurem ajuda e para que casos antes invisíveis sejam denunciados. “Acredito que algo que antes ficava escondido, embaixo do tapete, começou a aparecer mais porque hoje há maior facilidade de acesso das vítimas aos instrumentos de controle. Esse aumento de registros representa, na verdade, a diminuição da subnotificação”, explicou o delegado.
Ele destacou que o trabalho preventivo é centrado no fortalecimento e na integração entre setores como saúde, educação e assistência social, garantindo que pessoas em situação de vulnerabilidade, principalmente mulheres, crianças e adolescentes, tenham acesso rápido e humanizado ao acolhimento.
Em Itabira, o Comitê de Prevenção à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes tem atuado com visitas e capacitações em diversos órgãos, incluindo escolas da rede municipal e estadual. Essa formação permite que educadores identifiquem sinais de abuso e acionem a rede de proteção de forma ágil. “Um dos fatores que possibilitou a denúncia recente foi justamente a atuação da escola, que soube conduzir a situação com amparo e responsabilidade. Sem a capacitação oferecida à rede de educação, essa denúncia poderia ter se perdido”, afirmou o delegado, comentando sobre o último caso, envolvendo um homem de 45 anos que foi preso e está sendo investigado por praticar crimes sexuais contra sua enteada, uma criança de dez anos.
Outras formas de atendimento
Além disso, Itabira conta com o Centro de Referência Especializado de Atendimento à Mulher (Cream) atuando como um dos principais pontos de apoio em casos de violência doméstica. A escuta inicial é conduzida por uma equipe técnica especializada. Após esse primeiro atendimento, a vítima segue acompanhada pelo Cream, que mantém o suporte contínuo e a articulação com outros serviços da rede de proteção, como os setores de Saúde e Assistência Social. A iniciativa fortalece o vínculo de confiança com as mulheres, agiliza o atendimento e garante que nenhuma vítima enfrente o processo sozinha.
A Polícia Civil reforça que a denúncia é o primeiro passo para romper o ciclo de silêncio e violência, e orienta que qualquer suspeita de abuso seja comunicada aos canais oficiais, como o Disque 100, 181, Chame a Frida (31) 99398-6100, ou diretamente às autoridades locais.

