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Governador do Rio defende ação que deixou 58 mortos nos complexos da Penha e do Alemão

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, afirmou nesta quarta-feira (29) que a Operação Contenção foi um sucesso e destacou que as únicas vítimas dos confrontos foram os policiais mortos durante a ação. “Temos muita tranquilidade de defender o que foi feito ontem. Queria me solidarizar com as famílias dos quatro guerreiros que deram a vida para libertar a população. Eles foram as verdadeiras quatro vítimas. De vítima ontem, só tivemos os policiais”, disse o governador em entrevista no Palácio Guanabara, sede do Executivo estadual.

Castro também afirmou que os mortos na operação eram criminosos. “Quais são os indícios que levam a crer que todos eram criminosos? O conflito não foi em área edificada. Foi todo na mata. Não creio que tivesse alguém passeando na mata num dia de conflito. Por isso a gente pode tranquilamente classificar de criminosos”, declarou.

De acordo com o governador, o número oficial de mortos na ação conjunta das polícias Civil e Militar nos complexos da Penha e do Alemão, realizada na terça-feira (28), é de 58 pessoas, incluindo dois policiais civis e dois militares. Ele reconheceu que o dado pode mudar “com certeza”, mas não explicou o motivo da alteração em relação à contagem anterior, que registrava 64 mortes. Castro também evitou comentar sobre os cerca de 60 corpos retirados por moradores da área de mata após a operação, considerada a mais letal da história do estado.

“Mostramos ontem um duro golpe na criminalidade e que temos condições de vencer batalhas. Mas temos a humildade de reconhecer que essa guerra não será vencida sozinhos. Agora é momento de união e não de politicagem”, afirmou o governador.

A operação causou pânico entre os moradores do Rio de Janeiro. Durante a ação, milhares de pessoas enfrentaram dificuldades para chegar em casa devido aos bloqueios nas vias e aos intensos tiroteios.

Apesar da dimensão da operação, o resultado não atingiu o objetivo de conter o crime organizado, segundo especialistas. A professora Jacqueline Muniz, do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), classificou a ação como “amadora” e uma “lambança político-operacional”. Movimentos populares e de favelas também condenaram a ação, afirmando que “segurança não se faz com sangue”.

* Com Agência Brasil.

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