O vereador André Viana (PTN), que integra a base governista do prefeito Ronaldo Magalhães (PTB), deixou o lado político nessa terça-feira, 23 de maio, e foi à tribuna defender que haja reajuste para os servidores públicos municipais. A administração municipal argumenta que não há condições financeiras para aumentar os salários dos trabalhadores. Em sua fala, o legislador exclamou que é totalmente contra o “reajuste zero”.
André salientou que entende que a situação do município é ruim e que o governo municipal tem feito esforços para tentar conter dívidas e déficits, mas que não pode negar sua origem sindicalista. Vice-presidente do Sindicato Metabase, o vereador afirmou não estar ali para "fazer gincana política e nem trampolim político". "Eu me dirijo aos servidores. Não é um afronto ao prefeito. Tenho apoiado os projetos que são bons para o município”, disse.
Funcionário da mineradora Vale, André Viana comentou que é contra o reajuste zero em qualquer esfera. “Seja privada ou pública. O reajuste zero é uma fraude contra o trabalhador. Eu espero que haja no mínimo um reajuste que equilibre a inflação”, disse, lembrando que sabe o quanto é ruim ver várias categorias recebendo aumento e tendo reajustes e outras não.
O discurso do vereador foi aplaudido pelo Plenário. Logo após a fala de André, o oposicionista Weverton Vetão (PSB) parabenizou o colega pela coragem e ressaltou que compartilha as mesmas ideias. “Dar um reajuste zero ao servidor público é algo que está diretamente trazendo prejuízos, levando em consideração o tanto de anos que não conseguem fazer o reajuste. Não dá para aceitar isso”, reforçou.
Vetão disse que a Câmara não pode ficar de fora da discussão sobre o “reajuste zero”
No final da discussão, o presidente da Câmara, Neidson Dias Freitas (PP), também da base governista, enfatizou o cenário de liberdade do Legislativo. Segundo ele, todo parlamentar municipal é livre para se expressar. “Aqui, cada um se posiciona de acordo com suas convicções”, reforçou.
Paralisação
Desde março deste ano, os servidores do município estão em estado de greve por causa da ausência de reajuste. Isso aconteceria pelo terceiro ano consecutivo. Trabalhadores da Itaurb, da Transita, do Sine e de setores da Educação chegaram a cruzar os braços.
Em recentes entrevistas a DeFato Online, o secretário de Governo, Ilton Magalhães, reafirmou que o cenário econômico desfavorável impede aumento aos servidores municipais. A proposta do governo é de que haja 14% de majoração no cartão-alimentação. "Não é que o prefeito não queira conceder (reajuste salarial), é que não temos condições mesmo", afirmou.
Ao Diário de Itabira, Ilton Magalhães disse que o governo tem tido dificuldades até para manter os salários em dia e que o reajuste fora das condições pioraria muito esse cenário.

