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Governo bloqueia gastos nos ministérios por causa da crise financeira nos Correios

Crise dos correios provocará uma reduçao no número de agências e demissões- Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Em gravíssima crise financeira, os Correios será responsável por mais da metade do prejuízo previsto para todas as estatais federais em 2025, um rombo sem limite e que vem se agravando a cada dia mais.

Dos últimos dez anos, os Correios tiveram prejuízo em cinco deles. No ano passado, o déficit da estatal foi de mais de R$ 2,5 bilhões e só no acumulado do primeiro semestre de 2025, o prejuízo passou de R$ 4 bilhões, podendo chegar a R$ 10 bilhões até o final deste ano, conforme comunicado da direção aos funcionários; previsão dobrada pelo próprio governo federal para o ano.

Por não investir o suficiente para concorrer com empresas mais modernas do segmento, a instituição hoje responde por apenas um quarto do mercado e sua crise afeta também as contas públicas, alterando significativamente as previsões do governo para este ano, que tinha expectativa de um déficit de R$ 6 bilhões, mas atualizou o rombo para R$ 9 bilhões só em 2025.

Paulo Feldmann, economista da USP e da FIA, acredita que a privatização possa ser o remédio para a atual situação.

“Claro, esse rombo alguém tem que pagar. E quem está pagando é o governo brasileiro. O governo federal. E isso é claro que agrava o rombo. Agora, a solução dos Correios é uma solução complexa. Por quê? Porque os Correios têm que abrir mão de algumas atividades. São atividades onde os Correios não têm condições de fazer os investimentos que são necessários, não têm experiência. Então, nesse caso, é importante a privatização”.

Em seu plano de reestruturação já divulgado, os Correios prevê demissão voluntária para reduzir em 10 mil o contingente de 83 mil empregados, a venda de cerca de mil agências deficitárias e arrecadação de cerca de R$ 1,5 bilhão com a venda dos imóveis, com possibilidades de parcerias estratégicas, fusões e aquisições, além de um empréstimo de R$ 20 bilhões, com foco em garantir a sustentabilidade financeira, modernizando a operação e assegurando a continuidade dos serviços postais em todo o país.

Márcio Holland, professor de economia da FGV-SP, disse:

“Os próprios Correios informam que 85% para mais desses pontos são deficitários, têm prejuízos. Então têm que fechar muitos desses pontos. É fundamental isso. Tem muito sombreamento de agências muito próximas em geral”.

E prossegue: “Qualquer empresa estatal, dependente ou não do Tesouro, precisa melhorar sua governança. Em alguns casos, como o dos Correios, essa governança só melhora quando entra o capital privado ali dentro. Então, os Correios precisam, sim, de uma parceria com o setor privado, em uma proporção a se discutir oportunamente, para reduzir essa inferência, essa intervenção toda, essa influência político-partidária que tem tido na administração desta empresa”.

*Fonte: G1

 

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