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Governo federal exonera delegado da Abin investigado por espionagem

Governo federal exonera delegado da Abin investigado por espionagem

Foto: Divulgação

Carlos Afonso Gonçalves Gomes Coelho, delegado da Polícia Federal, foi exonerado da sua função de coordenador de Aviação Operacional. Ele é investigado por fazer parte de um esquema de espionagem irregular na Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), na sexta-feira (26).

Carlos Coelho atuava como secretário de Planejamento e Gestão à época em que Alexandre Ramagem era o diretor-geral da Abin. Ramagem hoje é deputado federal pelo Rio de Janeiro e é um dos alvos da operação que apura uma suposta organização criminosa que teria se instalado na agência para monitorar de forma ilegal autoridades públicas e outras pessoas.

Segundo a Polícia Federal, o grupo, formado por policiais federais e servidores da Abin, usava ferramentas de geolocalização de dispositivos móveis sem autorização judicial.

Os investigados podem responder, dentro das suas responsabilidades, pelos crimes de invasão de dispositivo informático alheio, organização criminosa e interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados pela lei.

A ação é uma sequência da Operação Última Milha, deflagrada em 2023.

Segundo a PF, as provas obtidas a partir das diligências executadas à época indicam que os investigados criaram uma estrutura paralela na Abin e utilizaram de ferramentas e serviços da agência de inteligência do Estado para a prática de ações ilícitas, produzindo informações para uso político e midiático para conseguirem proveitos pessoais e até mesmo para interferir em investigações da Polícia Federal.

Três policiais acusados de participarem no esquema ilegal montado na Abin durante a gestão de Alexandre Ramagem prestaram depoimento aos agentes que conduzem a investigação. Eles foram ouvidos na quinta-feira (25), um no Rio de Janeiro e dois em Brasília.

Ainda na sexta-feira (26), ocorreram outros depoimentos na sede da PF em Brasília e na superintendência da corporação no Rio de Janeiro. Todos foram afastados dos seus cargos.

Documentos apreendidos pela PF na operação Última Milha, deflagrada em outubro de 2023, indicam que outros programas podem ter sido mobilizados em nome de interesses pessoais e políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

As investigações localizaram anotações compatíveis com a ferramenta Cobalt Strike, que pode ser utilizada para invadir computadores.

O aplicativo LTESniffer, que intercepta tráfego em redes 4G, é outro que, segundo os agentes federais, pode ter sido utilizada pela “Abin paralela”.

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