Site icon DeFato Online

Governo federal liberou 1,7 bilhão em emendas parlamentares para aprovar a MP dos Ministérios

Governo federal liberou 1,7 bilhão em emendas parlamentares para aprovar a MP dos Ministérios

Sessão da Câmara dos Deputados em que a MP dos Ministérios foi aprovada - Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O governo federal não teve alternativa senão abrir os cofres para conter um possível protesto de deputados do “centrão”, o que colocaria em risco a votação da medida provisória (MP) que reorganizou os ministérios neste terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para assegurar a aprovação do texto na Casa, na noite de quarta-feira (31), a gestão petista liberou R$ 1,7 bilhão em emendas parlamentares ao orçamento.

O resultado dessa “graça” aos parlamentares garantiu 337 votos favoráveis à MP, 125 contrários e uma abstenção. Após passar pela Câmara, o texto seguiu para o Senado, onde também foi aprovado, com 51 votos a favor, 19 contra e uma abstenção, nesta quinta-feira (1º), último dia de prazo para votação. A proposta foi aprovada pelos senadores tem a mesma redação votada pelos deputados. A matéria segue agora para sanção presidencial.

Editada por Lula em 1º de janeiro, quando ele tomou posse como presidente, a MP alterou a estrutura do governo, ampliando o número de ministérios, que saiu de 23, como era na gestão Jair Bolsonaro (PL), para 37 pastas.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), chegou a dizer que “não caberia culpa à Câmara por uma possível desaprovação do texto, e que havia uma insatisfação geral pela falta de articulação do Palácio do Planalto”. Até por isso, o presidente Lula se incumbiu, pessoalmente, em negociar a aprovação da MP — e, para isso, ligou para Lira, ainda na manhã de quarta-feira, e assegurou a liberação de recursos, invertendo a possibilidade de uma derrota no plenário do Legislativo.

Com isso, o PP, partido de Arthur Lira, passou a defender a aprovação da MP dos Ministérios. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), após a votação, recebeu uma ligação do presidente Lula parabenizando-o pela aprovação.

Mudanças

Em função de uma pressão da bancada ruralista, apoiada pelos deputados do “centrão”, a nova redação da MP retirou poderes dos ministérios de Meio Ambiente, de Marina Silva, que ficou sem o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e sem a Agência Nacional de Águas (ANA). Quem também perdeu força foi o Ministério dos Povos Indígenas, de Sonia Guajajara, que viu a autonomia de definição e demarcação de reservas passar para as mãos do Ministério da Justiça.

Outra importante decisão foi a permanência da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) no Gabinete de Segurança Institucional (GSI). A proposta anterior previa a sua transferência para a Casa Civil.

Veja os votos de cada partido na aprovação da MP dos Ministérios:

Exit mobile version