A alta recente no preço dos combustíveis levou o governo federal a pedir uma investigação sobre possíveis abusos no mercado. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) encaminhou um ofício ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) solicitando apuração sobre aumentos registrados em diversos estados, incluindo Minas Gerais.
O pedido foi motivado por reclamações de representantes do setor de postos de combustíveis. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Minas Gerais (Minaspetro), distribuidoras estariam elevando os preços de venda e, em alguns casos, restringindo a oferta de combustíveis para determinados revendedores.
De acordo com relatos recebidos pela entidade, algumas distribuidoras teriam se recusado a vender produtos ou ofereceram combustível por valores considerados “exorbitantes”, o que inviabilizaria a compra pelos postos, principalmente aqueles que operam com marca própria.
Dificuldade de abastecimento
O Minaspetro informou que já recebeu notificações de postos com falta de combustível, especialmente entre estabelecimentos independentes. A entidade afirma que tem alertado autoridades e a imprensa sobre possíveis impactos no abastecimento no estado.
“Nos últimos dias, o Minaspetro vinha alertando sobre restrições impostas por distribuidoras na venda de combustíveis, principalmente para postos de marca própria”, informou o sindicato em nota.
A entidade também afirmou que continuará monitorando o cenário nas bases de distribuição e manterá revendedores e consumidores informados sobre eventuais problemas no abastecimento em Minas Gerais.
Aumentos percebidos pelos consumidores
Em Belo Horizonte, motoristas relataram aumentos expressivos no preço da gasolina entre segunda-feira (9) e esta quarta-feira (11). Em alguns casos, os reajustes ocorreram em poucos dias.
A variação de preços já era percebida anteriormente na capital mineira. Levantamentos mostram que o valor da gasolina pode variar mais de R$ 1 entre diferentes postos, o que reforça a recomendação para que consumidores pesquisem antes de abastecer.
Petrobras nega reajuste
A Petrobras afirmou que não realizou qualquer aumento recente no preço dos combustíveis vendidos nas refinarias e garantiu que há oferta suficiente no mercado brasileiro.
Segundo a estatal, os reflexos da guerra no Oriente Médio ainda não impactaram diretamente o mercado interno. Apesar disso, distribuidoras teriam citado a alta do petróleo no mercado internacional, associada aos ataques na região, como justificativa para os reajustes.
Governo intensifica monitoramento
O Ministério de Minas e Energia informou que intensificou o acompanhamento do mercado global de petróleo e da logística de abastecimento no país. O governo também passará a monitorar mais de perto os valores praticados nos postos.
Caso o Cade identifique indícios de práticas anticoncorrenciais ou abuso de mercado, poderá abrir investigação formal contra empresas do setor.

