O governo pretende fazer alterações na Secretaria de Comunicação (Secom), conforme deixou claro o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um evento do partido na sexta-feira (6), quando afirmou que há erros na estratégia de divulgação de ações de sua gestão e que “será necessário fazer correções”.
A possibilidade de demissão de Paulo Pimenta à frente da Secom, no entanto, não deve ocorrer neste ano. Possivelmente no princípio de 2025, quando haverá uma reforma ministerial mais ampla. Lula tem demonstrado insatisfação com a gestão de Pimenta, diante de pesquisas que demonstram queda na aceitação do seu mandato.
Lula já teria sinalizado anteriormente sua preferência para o cargo ao seu publicitário, Sidônio Palmeira, principal marqueteiro da campanha vitoriosa de 2022, e que tem dado colaborações pontuais ao seu governo. Os dois almoçaram juntos no Palácio da Alvorada na semana passada.
Para não “fritar” Pimenta, integrantes do governo discutem uma saída “honrosa” para o ministro da área, talvez o colocando em outra pasta, talvez o colocando no Palácio da Alvorada ou assumindo a liderança do governo na Câmara.
Ao O Globo, Pimenta disse ter conversado com o presidente na segunda-feira (9), e que não houve nenhuma sinalização de mudança.
“Sou uma pessoa da relação pessoal, de confiança do presidente Lula. Ele sabe que pode contar, tenho uma relação de lealdade do nosso projeto com ele e não há da parte dele nenhuma sinalização para que haja algum tipo de alteração no ritmo do trabalho que está sedo feito na Secom”.
No entanto, Pimenta concorda com a avaliação do presidente e admite encontrar dificuldades em dar visibilidade às ações dos ministérios, mas, acredita que não é uma questão exclusiva do petista, mas de “um desafio para a esquerda no Brasil e no mundo”.
A possível escolha de Sidônio Palmeira o forçaria a se afastar de sua empresa para assumir cargo no governo, o que é um empecilho. Por outro lado, Lula conta com Palmeira para coordenar a campanha de 2026, ficando portanto, pouquíssimo tempo na pasta.
Para realocar Pimenta implica em desalojar aliados. A Secretária-geral, um dos possíveis destinos, é comandada pelo ministro Márcio Macêdo, de proximidade com Lula, mas que poderia assumir uma função na estrutura do PT, já que ele foi tesoureiro do partido na campanha eleitoral de 2022.
A pasta hoje ocupada por Macêdo é responsável pela relação direta com movimentos sociais e tem potencial para mais, segundo Lula, que em maio ficou incomodado com um ato esvaziado num Primeiro de Maio em São Paulo e que havia sido organizado por Macêdo.
A liderança na Câmara hoje está com José Guimarães (PT-CE), que planeja concorrer ao Senado nas próximas eleições.
Lula acredita que o perfil de Pimenta, mais agressivo na defesa dos interesses do governo seja o ideal para ocupar o posto.

