Anunciada durante a semana, teve início às 0h desta quinta-feira (23) a greve dos metroviários em Belo Horizonte e Contagem. Contrariando uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) — que determinou um funcionamento mínimo das operações os horários de pico, das 5h30 às 10h e das 16h30 às 20h —, a paralisação é total e todas as 19 estações do metrô estão fechadas.
De acordo com o Sindicato dos Metroviários de Belo Horizonte (Sindimetro), até quarta-feira (22), a categoria não havia sido notificada sobre a decisão do TRT e, por isso, não são obrigados a seguirem a determinação judicial de escala mínima de trabalho durante a greve. Somente no final da manhã desta quinta-feira que a notificação chegou ao sindicato — estipulando, inclusive, uma multa diária de R$ 30 mil em caso de descumprimento.
Porém, para que essa determinação seja cumprida é necessária a realização de uma assembleia geral dos trabalhadores, o que não deve acontecer até a próxima segunda-feira (27). Com isso, é grande a possibilidade de que o serviço de metrô permaneça totalmente paralisado na sexta-feira (24) e durante o final de semana.
Interrupção total surpreende usuários
As pessoas que dependem do metrô de Belo Horizonte e Contagem acabaram surpreendidas pela paralisação total do serviço nesta quinta-feira. Isso porque eles esperavam o funcionamento em uma escala mínima, que abrangeria os horários de pico — o que acabou não acontecendo.
Com isso, muitos trabalhadores precisaram recorrer a alternativas de transportes, como ônibus, táxis e carros de aplicativo.
Reforço no transporte público
Em média, o metrô de Belo Horizonte e Contagem transporta 100 mil pessoas diariamente — e que nesta quinta-feira ficaram sem essa opção de locomoção devido a paralisação total do serviço. Para amenizar a situação, a Prefeitura de Belo Horizonte determinou à concessionária de transporte coletivo municipal que realize viagens de reforço.
Com a medida, a expectativa é de os usuários de transporte público na capital tenham uma prestação mínima de serviço e os efeitos da greve dos metroviários sejam minimizados.
Impacto no comércio
Com a proximidade do Natal, a greve dos metroviários tem preocupado comerciantes de Belo Horizonte, que podem ver as suas vendas comprometidas por uma possível redução no fluxo de pessoas devido a paralisação do metrô.
Para tentar minimizar o impacto no comércio da capital, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte enviou um ofício ao Ministério Público do Trabalho e ao Sindimetro solicitando que seja cumprida a escala mínima de funcionamento.
CBTU vai apurar descumprimento de liminar
A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), responsável pela administração do metrô de Belo Horizonte e Contagem, afirmou que vai adotar ações internas para apurar o descumprimento da liminar emitida pelo TRT. Além disso, a companhia informou que tomará providências legais para que a decisão seja cumprida.
Motivo da greve
Os metroviários questionam uma resolução do Conselho de Parcerias de Investimentos, do Governo de Minas Gerais, que impede os empregados da CBTU em Belo Horizonte de solicitarem transferência para outras unidades do país.
De acordo com o Sindimetro, a resolução contraria o acordo coletivo de trabalho vigente, já que ele permite a realização desse pedido de transferência.

