Mesmo após o anúncio de reajuste salarial de 5,4% para 2026 pelo Governo de Minas, os professores da rede estadual mantiveram a greve nesta quarta-feira (4). A paralisação foi confirmada pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) e ocorre em todo o estado.
A greve foi mantida após deliberação estadual da categoria e segue sem prazo definido para encerramento. Em Itabira, segundo a diretora da subsede local do sindicato, Vanderléia de Freitas, o movimento ainda começou com baixa adesão, mas deve ganhar força nos próximos dias, à medida que a entidade percorre as escolas para dialogar com os profissionais.
“Não tenho como te dar a exata porcentagem, mas nós temos profissionais da educação em greve. É um índice ainda baixo porque a greve iniciou hoje e normalmente quando uma greve inicia, ela não começa com uma porcentagem grande, mas a gente vai visitar as escolas da cidade para ter um diálogo aberto com os nossos profissionais e para que eles possam entender o que realmente está acontecendo”, afirmou.
De acordo com o sindicato, a categoria acumula perdas salariais desde 2019. Vanderléia afirma que, nos últimos oito anos, o Governo de Minas não teria cumprido integralmente os reajustes fixados pelo Ministério da Educação (MEC). Em quatro desses anos, segundo ela, não houve qualquer reajuste salarial.
“É por isso que a gente está cobrando que o governo nos pague o que é de direito. [São] 41,83% que nós estamos tendo perda salarial”, declarou. A dirigente sindical também argumenta que a lei do piso nacional do magistério estabelece vencimento para profissionais com formação de nível médio, enquanto em Minas Gerais é exigido curso superior para atuação na rede estadual. “Nosso nível já é acima do que é exigido pela lei do piso”, pontuou. Para o sindicato, o reajuste de 5,4% anunciado nesta semana não recompõe as perdas acumuladas ao longo dos últimos anos.
A representante do Sind-UTE Itabira também criticou a política salarial do Executivo estadual e citou reajustes concedidos a outras carreiras e mencionou renúncias fiscais concedidas pelo Estado, que, segundo ela, impactariam os investimentos em áreas como educação e saúde. “A gente faz um apelo à sociedade para que ela entenda que greve não é bom nem para a gente. Nós fazemos porque ainda é o único meio de conseguir os nossos direitos, é através dela que a gente faz a luta, embora seja árdua”, disse.
Outro ponto levantado pelo sindicato é a dificuldade de contratação de professores na rede estadual. Segundo Vanderléia, escolas da região enfrentam carência de profissionais ao longo do ano letivo, com vagas sendo preenchidas de forma temporária ou permanecendo em aberto. A diretora afirma que a baixa atratividade da carreira está ligada aos salários e às condições de trabalho. “Um professor hoje recebe salário bruto de R$ 2.920, menos que dois salários mínimos. É uma profissão que exige curso superior e dedicação integral, mas que não está sendo valorizada”, afirmou.
Vanderléia Freitas também destacou o que classificou como aumento do adoecimento entre os profissionais da educação e criticou medidas administrativas adotadas pelo governo, como o fechamento de turmas e mudanças no CESEC (Centro Estadual de Educação Continuada), que, segundo o sindicato, estaria com matrículas do ensino fundamental suspensas.

