O vereador Heraldo Noronha (Republicanos) aproveitou a “palavra aberta” na reunião ordinária da Câmara de Itabira, nesta terça-feira (31), para defender a criação de um novo distrito industrial no município. A fala foi dada durante um debate a respeito da ampliação da vida útil das minas da Vale em Itabira até 2053. Para ele, a cidade precisa pensar em um projeto industrial mais robusto, capaz de sustentar a economia local após o fim da mineração.
Em sua fala, o parlamentar reconheceu que a extensão do ciclo mineral representa um “fôlego” importante para o município e parabenizou a atuação do sindicalista André Viana junto ao conselho da mineradora. No entanto, reforçou que o tempo adicional não deve ser visto como solução definitiva. “Esse ciclo mineral vai passar. Nós precisamos de algo maior”, afirmou.
Durante sua fala, o vereador – de forma indireta – demonstrou discordância em relação à possível instalação de um novo distrito industrial na região da Fazenda Palestina, área estudada pela Prefeitura de Itabira para receber o projeto de um ecodistrito. Segundo Heraldo Noronha, a localização não é a mais adequada do ponto de vista logístico.
Na visão do vereador, a distância da BR-381 pode dificultar a atração de empresas e comprometer a competitividade do empreendimento. Como alternativa, ele sugeriu que o município avalie áreas mais próximas à rodovia, especialmente na saída para o distrito de Ipoema, na divisa com São Gonçalo do Rio Abaixo.
“Nós temos que pensar em um terreno maior, que seja algo que realmente vai dar um sustento futuro para a nossa cidade. Nós temos que agir rápido. 25 anos parece longe, mas passa muito rápido”, defendeu.
Heraldo Noronha também criticou o que classificou como limitações dos atuais distritos industriais de Itabira, que, segundo ele, não oferecem estrutura suficiente para atrair grandes investimentos. Em sua avaliação, repetir esse modelo em um novo projeto pode comprometer o futuro econômico da cidade. “Não adianta pensar em um distrito pequeno. Temos que pensar grande, em tecnologia, em algo que realmente traga desenvolvimento”, disse.
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Em tempo
Em 2025, a Prefeitura de Itabira anunciou a implantação de um ecodistrito industrial no terreno da Fazenda Palestina, às margens da rodovia MG-120. O projeto, considerado estratégico para a diversificação da economia municipal, tem início de operação previsto para 2027 e deve movimentar cerca de R$1,1 bilhão por ano quando estiver em pleno funcionamento.
O empreendimento contará com aproximadamente 500 mil m² de área destinada à construção, distribuída em 33 lotes de 10 mil m² e sete lotes de 30 mil m². Ao redor, serão preservados 1,5 milhão de m² de mata atlântica em regeneração, o que dará ao distrito um perfil ambiental diferenciado em comparação aos polos industriais tradicionais.
O ecodistrito foi planejado dentro do programa Itabira Sustentável, em parceria com a Vale e outras empresas locais, como a Belmont e a Vale Verde. O conceito prevê práticas de eficiência energética, gestão de resíduos e preservação ambiental. “[É um] Ecodistrito porque ele vai trazer as melhores práticas de tratamento de resíduos, de consumo de combustível, nesse sentido. Inclusive, 60% da área é de regeneração de mata atlântica. Então, ele vai ter um aspecto ambiental diferenciado daquela paisagem industrial normal, seca, sem arborização, sem vida animal”, disse Leonardo Pontes Guerra, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Itabira.

