Entre receitas e despesas orçamentárias regulares, o Hospital Margarida possui um déficit de R$300 mil mensal. Essa é a atual realidade da casa de saúde em João Monlevade, de acordo com o consultor financeiro do hospital, Ricardo Torres. Uma reunião de prestação de contas em relação aos gastos do Hospital Margarida no combate à Covid-19 foi realizada ontem (30), no Plenarinho da Câmara Municipal de Monlevade. A iniciativa do encontro partiu da Comissão Especial formada para acompanhar a utilização das verbas municipais destinadas para o enfrentamento à Covid-19. O grupo é formado pelos vereadores: Revetrie Teixeira (MDB), Belmar Diniz (PT), Pastor Carlinhos (PL), Guilherme Nasser (MDB) e Toninho Eletricista (PTB).
O vereador Revetrie Teixeira, presidente da Comissão de Saúde, Saneamento Básico e Meio Ambiente da Câmara ressalta que é a segunda vez que se reúne com membros do Hospital Margarida para tratar do assunto.
“A importância dessa reunião é porque precisamos de números. Quanto foi gasto? Tem caixa ainda para ser utilizado? Queremos e acreditamos que não tenha nenhuma irregularidade, mas se tiver, acharemos”, enfatizou o vereador.
Além dos membros da Comissão, estiveram presentes os vereadores Djalma Bastos e Sinval Dias.
Hospital Margarida
Representando o hospital, participaram do encontro o consultor financeiro Ricardo Torres; a diretora administrativa Jussara Ferreira; o advogado Filipe Ivens Duarte; Alexandra Fuscaldi (financeiro) e Marcela dos Santos Marques (comissão de enfrentamento ao Covid-19).
A diretora administrativa do Margarida, Jussara Ferreira, disse que a nova diretoria do hospital tomou posse no dia 17 de março, logo no início da pandemia. A partir de então, foi formada uma comissão interna com o objetivo de verificar quais seriam os procedimentos necessários para estruturar a casa de saúde no que se diz respeito ao enfrentamento da pandemia.
“A princípio, reestruturamos o ambulatório com cinco leitos de UTI, que era o número de respiradores que a gente poderia deixar disponível naquele momento, e três leitos de enfermaria. Além disso, fechamos o ambulatório destinado ao atendimento de convênios e transferimos todo o atendimento para o Pronto Socorro. Com isso, foi necessário implantar uma escala de plantão médico 24 horas. Também fomos obrigados a suspender todas as cirurgias eletivas, ou seja, toda a fonte de receita do hospital foi interrompida devido a uma determinação do Estado. A partir daí, fomos construindo um cenário de enfrentamento à pandemia para o hospital de acordo com o que o Estado havia preconizado”, explicou.
Ainda segundo Jussara, como era necessário isolar uma área do hospital para o atendimento exclusivo a pacientes suspeitos da Covid-19, optou-se pelo fechamento do quarto andar da unidade por ser um local mais afastado dos demais. Com isso, foram estruturados mais 10 leitos de UTI e outros 14 de enfermaria. “Nesse primeiro momento, tudo foi feito com recurso próprio, o que gerou um impacto financeiro muito grande para o hospital”, salientou.
Orçamento negativo
De acordo com Ricardo Torres, consultor financeiro do Margarida, o hospital hoje tem entre receitas e despesas orçamentárias regulares, um déficit de R$300 mil por mês.
“Com a Portaria nº 1.769, ficou determinado que os hospitais receberiam uma verba para o enfrentamento da pandemia. Se trata de um valor de R$1.600,00 por leito de CTI dia”, ressaltou.
Ricardo disse, ainda, que o valor de R$5,1 milhões foi repassado ao hospital em três parcelas, sendo a primeira em junho, chamada de auxílio emergencial.
“Nós não podemos retroagir o que foi gasto no início da pandemia. O que nós colocamos em caixa foi o hospital (recurso próprio) e a ajuda da ArcelorMittal no valor de R$1,3 milhão, que foi a soma de quatro meses de repasse (a última parcela foi repassada no início de setembro). Fomos questionados pelo Estado se o hospital iria continuar ou não o atendimento dos 15 leitos de CTI destinados ao COVID. O Margarida foi um dos poucos que disse que iria avaliar mês a mês. Porque temos recurso para manter por um mês o atendimento sem o recebimento de uma nova verba já que não temos certeza se mais recursos irão chegar. Por isso, precisamos ter precaução para administrarmos isso”, destacou Ricardo.
Fiscalização
O vereador Guilherme Nasser afirmou que as informações repassadas pelo hospital quanto à aplicação dos recursos é de extrema importância.
“Sabemos que as críticas são muitas, mas é preciso divulgar o que é positivo, aquilo que tem sido feito pelo hospital em benefício da população, não só de Monlevade, mas das cidades vizinhas que recorrem ao Margarida. Dessa forma, gostaria de mais detalhes de como o hospital utilizou cada recurso a fim de esclarecer a população que nos procura todos os dias querendo informações”, declarou Nasser.
Diante disso, a Comissão Especial vai encaminhar um novo ofício ao hospital solicitando informações mais detalhadas a respeito de todos os recursos recebidos, como cada um foi aplicado e qual a disponibilidade em caixa do Margarida para continuar mantendo os leitos destinados a pacientes com COVID.
“Temos que cuidar do hospital porque ele é nosso. E como fiscalizadores, esse é o nosso papel. Nosso objetivo é buscar sempre o melhor tanto para o hospital quanto para o cidadão que recorre até ele para atendimento”, enfatizou o vereador Revetrie.

