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IA na usina da Vale: é hora de comemorar ou botar as barbas de molho?

No jogo do mercado a IA dá cheque-mate no trabalhador- Foto: Ilustração/Pexels

A humanidade é astro principal de um filme de ficção modelo Hollywood.  Desta forma, o surreal habitou entre nós. A Inteligência Artificial (IA) se tornou a mais bizarra invenção da história deste asteroide azul chamado Terra. Pela primeira vez- em todos os tempos- o homem se fez Deus, pois criou uma entidade dotada de certo raciocínio lógico. A emenda, porém, pode sair pior que o soneto. Há sério risco de a criatura destruir o criador.

Neste ponto, um pouco de otimismo na causa. Hoje em dia, a IA já é utilizada com bastante êxito na medicina, por exemplo. A “coisa” parcialmente substitui o cirurgião em certos procedimentos.  O profissional da saúde, neste caso, não interage tão diretamente com o paciente durante a operação.  O médico apenas monitora e orienta as ações da ferramenta virtual. Trata-se, portanto, da maravilha das maravilhas.

Agora, o contraponto.  Para isto, Injetaremos dose extra de pessimismo neste script. Vamos a novo fato concreto, bem no nosso quintal.  A mineradora Vale anunciou- com pompa e circunstância- a implantação da Inteligência Artificial na usina de beneficiamento de minério da unidade de Conceição, aqui em Itabira.  A velha “joia da coroa” investiu a fabulosa fortuna de R$ 200 milhões na iniciativa inédita. A aposta compensou.  Os resultados da ousadia são animadores. Veja só. O volume de produção apresentou um crescimento de 25%.  A empresa salienta que este desempenho denota eficiência com maior segurança no trabalho. Afinal, nesta realidade, os colaboradores não entram em contato direto com os equipamentos da planta, uma área notoriamente insalubre.

Tudo excelente. Será isto mesmo?  Aí a porca torce o rabo. Por motivo único.  O sistema entrega o máximo com o mínimo de homens no pedaço. A exploradora de hematita (e itabirito) não mencionou esta sutil nuance em sua efusiva comemoração.  Este cenário deixa no ar uma perturbadora e contraditória constatação. O advento da IA é motivo de imensa festa por parte dos acionistas da transnacional brasileira.  Aos trabalhadores, no entanto, recomendo botar as barbas de molho. Nestes dias ultramodernos, o emprego nosso de cada dia tem a consistência de uma gelatina. Assim, a IA, em algumas circunstâncias, significa “Intensa Aflição”.

PS: A IA já executa um punhado de tarefas do cotidiano.  A “coisa” faz cirurgias, elabora cálculos complexos, redige textos jornalísticos e desenvolve sofisticadas pesquisas.  Daqui a pouco, aparecerá até um Drummond artificial na literatura brasileira. A IA, acima de tudo, é o triunfo do analfabetismo.

O conteúdo expresso é de total responsabilidade do colunista e não representa a opinião do portal DeFato Online.

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