O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do País, subiu 0,24% em junho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa uma leve desaceleração em relação a maio, quando a alta foi de 0,26%.
Apesar do recuo mensal, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 5,35%, ultrapassando, pelo sexto mês consecutivo, o teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Pela regra da meta contínua, em vigor desde janeiro, esse descumprimento obriga o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a encaminhar uma nova carta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, justificando o estouro da meta e apresentando medidas corretivas.
A meta central é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Energia elétrica pressiona inflação
A principal contribuição para o IPCA de junho veio do grupo Habitação, com alta de 0,99%. Dentro desse grupo, a energia elétrica residencial teve papel de destaque, puxada pela adoção da bandeira tarifária vermelha patamar 1. Segundo a Aneel, a medida foi tomada em razão das chuvas abaixo da média, o que reduziu a geração das hidrelétricas e aumentou o uso de termelétricas, mais caras.
Outros grupos também registraram aumento:
- Vestuário: 0,75%;
- Transportes: 0,27%;
- Despesas pessoais: 0,23%;
- Comunicação: 0,11%;
- Artigos de residência: 0,08%;
- Saúde e cuidados pessoais: 0,07%;
- Educação: estabilidade (0,00%).
Queda nos alimentos alivia pressão
O único grupo a registrar deflação foi o de Alimentação e bebidas, com queda de 0,18%, encerrando uma sequência de nove meses de alta. A alimentação no domicílio teve retração de 0,43%, influenciada pelas quedas no preço do ovo de galinha (-6,58%), arroz (-3,23%) e frutas (-2,22%). Já o tomate foi um dos poucos itens com aumento, subindo 3,25%.
A alimentação fora do domicílio também desacelerou: o lanche subiu 0,58% e a refeição, 0,41%, abaixo dos valores de maio.
Difusão e impactos
O índice de difusão — percentual de itens que apresentaram aumento de preço — caiu de 60% em maio para 54% em junho, o menor nível desde julho de 2024. Entre os produtos alimentícios, a difusão foi de 46%.
Segundo o gerente do IPCA no IBGE, Fernando Gonçalves, a influência dos alimentos foi decisiva na composição do índice: “Se tirássemos os alimentos do cálculo, a inflação do mês seria de 0,36%. E se excluíssemos a energia elétrica, ficaria em 0,13%”.
INPC também sobe
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação das famílias com renda mais baixa e serve de base para o reajuste do salário mínimo, subiu 0,23% em junho, ante 0,35% em maio.

