Três mortes confirmadas na grande São Paulo acenderam um sinal de alerta sobre os perigos do consumo de bebidas adulteradas com metanol. A substância, empregada principalmente na indústria química para a produção de solventes, adesivos e revestimentos, é altamente tóxica e pode ser fatal mesmo em pequenas quantidades.
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Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o metanol é um álcool simples (CH₃OH), líquido à temperatura ambiente, geralmente obtido a partir do gás natural. Sua produção e circulação no Brasil são rigidamente controladas devido aos riscos de adulteração de combustíveis e, principalmente, por sua toxicidade ao ser ingerido por pessoas. Diferente do etanol, que é obtido pela fermentação de açúcares e consumido em bebidas alcoólicas, o metanol não tem uso permitido para ingestão.
A identificação de bebidas com metanol é considerada muito difícil, o gosto, cheiro e aparência são praticamente iguais ao do etanol, o que impede que o consumidor perceba a fraude. Por isso, especialistas orientam atenção redobrada a sinais de embalagens com rótulos desalinhados ou com erros de impressão, lacres ou tampas irregulares, ausência de informações básicas como CNPJ e endereço do fabricante, além de preços muito abaixo do mercado.
O Ministério da Agricultura e Pecuária estabelece apenas limites residuais para a presença de metanol em bebidas, decorrentes naturalmente do processo de fermentação. Esses níveis são extremamente baixos e não significam autorização para uso. A adição deliberada da substância é ilegal e criminosa.
De acordo com o Ministério da Saúde, os primeiros sintomas de intoxicação geralmente surgem algumas horas após a ingestão. O ministro Alexandre Padilha explicou que a dor abdominal intensa, descrita como cólica, costuma ser um dos sinais iniciais. Outros sintomas incluem náuseas, vômitos, sudorese e, em seguida, alterações na visão, como flashes, borrões e até perda visual.
Esses efeitos ocorrem porque o organismo metaboliza o metanol em substâncias tóxicas, como formaldeído e ácido fórmico, que atacam o sistema nervoso central e o nervo óptico. Dependendo da quantidade ingerida e das condições do indivíduo, os sintomas podem aparecer entre 12 e 24 horas depois e a gravidade só aumenta se não houver atendimento imediato.
Centros especializados utilizam do etanol como antídoto específico, aplicado de forma controlada em ambiente hospitalar. Enquanto isso, a recomendação é manter hidratação adequada, já que a eliminação urinária ajuda a reduzir os efeitos da substância.
Qualquer pessoa que apresente sintomas após ingerir bebida de origem duvidosa deve procurar imediatamente um hospital. Também é essencial avisar amigos ou familiares que possam ter consumido a mesma bebida.
*Com informações da Agência Brasil.

