A empresa de consultoria Kroll, contratada pelo Cruzeiro em março deste ano para investigar as contas do clube durante os anos de 2018 e 2019, período de gestão do ex-presidente Wagner Pires de Sá, apontou uma série de gastos abusivos de ex-dirigentes da Raposa com recursos do clube. Por meio de um relatório, que teve fragmentos divulgados à imprensa nesta segunda-feira (18), a Kroll apontou, entre outros gastos suspeitos, despesas com “resorts de luxo e casas noturnas de entretenimento adulto” a partir de cartões corporativos.
Os cartões teriam sido criados para quatro dirigentes do Cruzeiro e, nas faturas, foram registrados outros tipos de gastos. “Entre as despesas analisadas, despesas pessoais e não condizentes com as atividades performadas pelo Cruzeiro, no valor de R$ 80.777,18, foram pagas com cartões de crédito corporativos emitidos em nome de quatro dirigentes, durante o período em análise. Os estabelecimentos incluíram lojas de eletrônicos, lojas de roupas, clínicas de saúde, bebidas alcoólicas, resorts de luxo e casas noturas de entretenimento adulto”, diz documento publicado pela Kroll e revelado no site do Cruzeiro.
Outros gastos
Outros fragmentos do relatório da Kroll indicaram ainda uma série de despesas suspeitas. O gasto com a folha salarial dos atletas do Cruzeiro, que representa 20% do total de despesas do clube, tiveram um crescimento de 50% no último biênio. De R$ 156,5 milhões, em 2016 e 2017, as despesas com o salário dos jogadores passaram para R$ 234,3 milhões em 2018 e 2019.
A Kroll também apontou gastos de R$ 1.548.608,00 que não puderam ter a origem identificada, por não possuírem documento fiscal. O relatório apontou que durante o período investigado o montante foi apresentado por meio de notas de débito simples, sem qualquer descrição da natureza desses gastos.
Outro número apresentado pelo relatório chama a atenção. Um débito no valor de R$ 8.521.311,80 foi identificado como gastos do Cruzeiro na contratação e no pagamento de empresas vinculadas a dirigentes e familiares destes entre os anos de 2017 e 2019. “As empresas favorecidas eram, em sua maioria, prestadoras de serviço de consultoria e tinham contratos com o clube que abarcavam os serviços performados pelos dirigentes em seus cargos. Entre os pagamentos identificados, há empresas em nome de esposas de dirigentes, comissões e pagamentos de rescisão não previstos em contrato, bonificação de dirigentes por desempenho do time e recebimentos em duplicidade por parte de dirigentes”, aponta o relatório
Em termos de montante, o estudo da Kroll apontou que os débitos do Cruzeiro tiveram salto de R$ 770 milhões entre 2016 e 2017 para R$ 1,1 bilhão entre 2018 e 2019.

