Rossieli Soares foi exonerado da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais no dia 27 de abril, após o Governo de Minas citar informações preliminares de uma investigação conduzida pela Controladoria-Geral do Estado. O Executivo não detalhou o teor da apuração. A saída do ex-secretário ocorre em meio a uma sequência de questionamentos sobre sua passagem pela pasta. Rossieli assumiu o cargo em agosto de 2025 e ficou menos de um ano à frente da Educação no estado. Antes de comandar a secretaria em Minas, ele foi ministro da Educação no governo do ex-presidente Michel Temer. Também chefiou secretarias estaduais de Educação em São Paulo, Amazonas e Pará.
O caso passou a ser acompanhado pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais. O órgão deu prazo de cinco dias para que a Controladoria-Geral encaminhe documentos e informações sobre a investigação que levou à exoneração.
A gestão de Rossieli em Minas foi marcada por episódios que geraram repercussão. Em novembro do ano passado, um aulão sobre inteligência artificial promovido pela Secretaria de Estado de Educação no Mineirão, com cerca de 30 mil estudantes, terminou em confusão generalizada. O evento precisou ser suspenso por horas.
Outro ponto questionado foi um leilão para compra de materiais escolares, realizado às vésperas do Natal. O processo, sem licitação, teve valor estimado em R$ 348,4 milhões.
Também entrou no centro das discussões a Concorrência Internacional 001/26, que prevê repassar à iniciativa privada a gestão e a operação de serviços não pedagógicos em 95 escolas estaduais. O modelo tem sido alvo de críticas e pedidos de explicação.
Durante visitas a unidades incluídas no processo, foram relatados investimentos em infraestrutura e melhorias nas escolas, mesmo após o vencimento da parceria pelo fundo IG4, em parceria com o BTG Pactual. Pelo contrato, o grupo receberá R$ 23,3 milhões por mês do Estado durante 25 anos.
A deputada Beatriz Cerqueira, presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, questiona o uso de dinheiro público em obras que, segundo ela, deveriam ser assumidas pelos concessionários.
A Controladoria-Geral do Estado foi convidada a prestar esclarecimentos sobre as investigações que motivaram a exoneração. Até o momento, o governo não informou quais são as suspeitas apuradas.
*Com informações da ALMG.

