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Investigações ligam fundo de sócio da SAF do Atlético a esquema de lavagem de dinheiro do PCC; clube se posiciona

Investigações ligam fundo de sócio da SAF do Atlético a esquema de lavagem de dinheiro do PCC; clube se posiciona

Foto: Divulgação

Os fundos de investimento do banqueiro Daniel Vorcaro, um dos acionistas da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Clube Atlético Mineiro, são alvo de investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por suspeita de lavagem de dinheiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A apuração foi revelada nesta sexta-feira (17) pelo jornal Estadão e pela Sport Insider, expondo possíveis conexões entre o sistema financeiro e esquemas operados pelo crime organizado.

De acordo com o Estadão, o Galo Forte FIP, fundo utilizado por Vorcaro para adquirir 26,9% das ações da Galo Holding S.A., estaria ligado a uma cadeia de fundos semelhantes aos investigados na Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Receita Federal como a maior ação já realizada no país contra o crime organizado.

Vorcaro investiu R$ 100 milhões em novembro de 2023 e, posteriormente, R$ 200 milhões em julho de 2024 para se tornar sócio da SAF. Os valores constam em documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e coincidem com os números divulgados oficialmente pelo clube.

A Galo Holding S.A., empresa que administra a SAF atleticana, tem atualmente sua estrutura acionária composta por 55,7% das cotas pertencentes a Rubens e Rafael Menin, 26,9% de Daniel Vorcaro, 9% do Fundo de Investimentos do Galo (FIGA) — que reúne aportes de torcedores e do empresário Renato Salvador — e 8,4% de Ricardo Guimarães.

Posicionamento do Atlético

Em nota divulgada na manhã desta sexta-feira (17), o Clube Atlético Mineiro afirmou não ter conhecimento de irregularidades na origem dos investimentos feitos por Vorcaro. “O Galo Forte Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia é um veículo de investimento devidamente constituído e regular perante a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sob administração da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários LTDA”, informou o clube.

A instituição reforçou que não possui qualquer relação direta com os fundos mencionados e que o investimento seguiu todos os trâmites legais. “Referido fundo figura como acionista da Galo Holding S.A., contexto no qual o Atlético não tem conhecimento de quaisquer irregularidades”, finaliza a nota.

Investigações e origem dos fundos

As investigações do MP-SP indicam que os fundos Olaf 95 e Hans 95, geridos pela Reag Investimentos, estariam entre os principais alvos da Operação Carbono Oculto. A ação teve como foco desarticular um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, no qual o PCC utilizava empresas e fintechs para movimentar valores ilícitos.

Segundo a Receita Federal, uma das fintechs investigadas teria atuado como um “banco paralelo” da facção, movimentando mais de R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024. Parte desse montante teria sido inserida no sistema financeiro por meio de fundos de investimento e empresas de fachada.

Manifestação do Banco Master

O Banco Master, instituição associada ao nome de Daniel Vorcaro, também negou relação com os fundos investigados. Em nota enviada à rádio Itatiaia, o banco afirmou: “O Banco Master não tem qualquer relação com os fundos Hans 95 e Olaf 95. Essas estruturas não integram o grupo e não possuem vínculo societário com o Banco ou com quaisquer de seus executivos.” O comunicado ainda destaca que o Galo Forte FIP pertence a Daniel Vorcaro como pessoa física, e que a Reag Investimentos atua apenas como prestadora de serviços, como faz com “centenas de outros cliente

Contexto da Operação Carbono Oculto

A Operação Carbono Oculto, conduzida pela Receita Federal e pelo MP-SP, teve início em 2023 e é considerada uma das maiores ações de combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro no Brasil. O objetivo é desmontar estruturas financeiras complexas utilizadas para disfarçar o lucro obtido com atividades ilícitas, como o tráfico de drogas e a sonegação no setor de combustíveis.

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