Residente há 40 anos na rua Raimundo de Souza, no bairro Bela Vista, em Itabira, o comerciante Geraldo Guerra conta que foi surpreendido na manhã desta segunda-feira, 18, enquanto se preparava para começar a sua caminhada. “Cheguei na entrada da barragem (do Pontal) e seguranças da Vale estavam bloqueando a entrada. São 20 anos fazendo a mesma rota. Não temos um local ideal para caminhada no bairro, eu precisei ir para a praça e caminhar em círculos, parar é que não podemos”, relatou.
Assim como o comerciante Geraldo Guerra, os demais moradores do bairro Bela Vista tiveram a rotina alterada devido ao isolamento da área no entorno da Barragem do Pontal, onde é feito o represamento do descarte da Mina Cauê, da Vale. A instalação das placas informando o acesso proibido ao local começou a ser feita ainda no domingo pela mineradora.
O isolamento do entorno da Barragem do Pontal foi determinado pela juíza Dayane Rey da Silva, 1ª Vara Cível de Itabira, que também ordenou a suspensão do lançamento de rejeitos da Vale em dois diques que compõem a represa de rejeitos. A juíza também recomendou que não seja realizada nenhuma atividade de construção, alteamento ou qualquer outra obra que cause vibração nas áreas do entorno da estrutura.
Caminhadas suspensas
Quem também não se mostrou satisfeito com a novidade foi Antônio da Silva, que caminhava há 22 no entorno da barragem. “A gente que caminha lá não vê o perigo, se for pra prevenção, está correto, apesar de já morarmos em área de risco. Agora o jeito é adaptar à ideia e começar a caminhar pelo bairro mesmo”, declarou Antônio.
A Vale informou que a decisão se baseia em notificação recebida pelo Ministério Público de Minas Gerais contendo informações preliminares sobre os diques Minervino e Cordão Nova Vista. “Ressalta-se que esses diques possuem declaração de estabilidade emitida em setembro de 2018”, disse a Vale em comunicado enviado à população. A passagem pela área da Barragem do Pontal somente está sendo permitida para funcionários autorizados e treinados. De acordo com informações da própria empresa, a multa em caso de descumprimento da ordem judicial é de R$ 1 milhão por dia.

