Itabira recebeu nesta quarta-feira (8), o lançamento da Iniciativa Rio Vivo, projeto que visa identificar, cercar e recuperar áreas de nascentes, garantindo a preservação de mananciais estratégicos e a qualidade da água para o futuro. A iniciativa já mobilizou 60 propriedades, identificou 87 nascentes e prevê o cercamento de 89 pontos críticos em áreas como Rio de Peixe, Palmtal, Candidópolis (rural e núcleo urbano) e Poço Rio de Peixe.
O projeto é realizado pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba (CBH-Piracicaba), em parceria com a Associação Pró-Gestão das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Doce (Agedoce), e conta com recursos provenientes da cobrança pelo uso da água, que retornam às cidades por meio de projetos ambientais.
Durante o lançamento, estiveram presentes o presidente do Serviço Autônomo de água e Esgoto (SAAE) de Itabira, Valdeci Fernandes, e a secretária de Meio Ambiente e Proteção Animal, Elaine Mendes, representando o prefeito Marco Antônio Lage (PSB).
“O projeto chega em boa hora, diante da estiagem e do comprometimento do manancial da Pureza, que será o primeiro a receber as ações da iniciativa”, destacou Valdeci Fernandes.
A secretária Elaine Mendes ressaltou a importância da ação em complementar políticas ambientais já em andamento na cidade, como o programa Águas de Itabira, que está sendo remodelado: “Nosso governo vem investindo na preservação de nascentes e na sustentabilidade. É um trabalho contínuo, que busca garantir o futuro hídrico da cidade”, afirmou.
Como funciona a iniciativa Rio Vivo
Segundo Alex Cardoso, diretor-geral da Agedoce, o programa atua principalmente nas áreas rurais da bacia do Rio Prescabo, envolvendo o cercamento das nascentes e a implementação de obras de saneamento rural: “Estamos realizando o isolamento das nascentes dentro dos imóveis rurais, além da instalação de sistemas de tratamento de esgoto individual, retirando o lançamento de esgoto in natura nos cursos d’água. Na bacia do Rio Prescabo, já foram cercadas quase 920 nascentes, promovendo regeneração natural e proteção ambiental.”
O programa segue três etapas: diagnóstico, mobilização e execução das obras, com acompanhamento contínuo. A primeira fase envolve o mapeamento das nascentes, visitas técnicas às propriedades, educação ambiental junto às famílias e a regularização ambiental das áreas contempladas.
“O comitê financia todo o projeto, desde o cercamento até a educação ambiental, garantindo a preservação da água para abastecimento público coletivo nas áreas urbanas”, explicou Alex.
O presidente do CBH-Piracicaba, Jorge Martins Borges, reforçou a importância histórica da preservação ambiental e da educação: “Em qualquer região, as matas influenciam diretamente na conservação das águas e na regularidade do clima. Hoje, com o Rio Vivo, repetimos práticas centenárias de preservação, focando nos três pilares fundamentais: política pública, preservação e educação ambiental.”
Micro-bacias estratégicas e acompanhamento técnico
O especialista ambiental e engenheiro agrônomo da Agedoce, Arthur Pamponet, detalhou a atuação do programa em Itabira: “Vamos atuar em seis micro-bacias, com 59 beneficiários e 89 nascentes. As obras iniciaram em agosto, na micro-bacia de Candidópolis, e estamos acompanhando de perto todo o trabalho de campo. A iniciativa Rio Vivo não força a adesão dos produtores, mas trabalha de forma conjunta, garantindo maior participação e engajamento.”

