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Itabira: líder religioso é indiciado por crimes contra dignidade sexual de 15 mulheres; saiba mais

“Sete Punhal”: líder religioso é preso em Itabira por abusos sexuais durante rituais

“Sete Punhal”: líder religioso é preso em Itabira por abusos sexuais durante rituais. Foto: Divulgação/PCMG

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito que investigava denúncias contra um líder religioso de 47 anos, preso no bairro São Pedro, em Itabira, no dia 9 de setembro. O homem foi indiciado por seis importunações sexuais e nove violações sexuais mediante fraude, crimes previstos nos artigos 215-A e 215 do Código Penal. Com o término das apurações, o caso foi encaminhado ao Judiciário, e o Ministério Público vai avaliar se há elementos para apresentar denúncia e iniciar o processo penal.

Na última quarta-feira (10), a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) realizou uma coletiva de imprensa para detalhar os desdobramentos da prisão do líder religioso. O delegado João Martins Teixeira, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), explicou que a investigação teve início após denúncia de uma vítima e que, durante as diligências, outras mulheres foram identificadas. Durante a prisão preventiva, a polícia também apreendeu dois celulares do investigado.

Segundo o delegado, a investigação revelou um padrão de atuação em que o investigado se aproveitava da posição de autoridade espiritual para induzir mulheres a acreditar que os atos teriam caráter espiritual ou terapêutico. “A apuração foi minuciosa e sensível, considerando a gravidade dos fatos e a vulnerabilidade das vítimas”, afirmou.

João Martins também reforçou o compromisso da Polícia Civil com as vítimas e a seriedade das apurações. “Nosso compromisso é garantir que esses crimes não fiquem impunes e que as vítimas sejam acolhidas e protegidas”, afirmou, destacando que a investigação buscou reunir todas as provas documentais e testemunhais disponíveis para assegurar que os responsáveis sejam responsabilizados.

Foto: Giovanna Victoria/DeFato

Conclusão do inquérito e defesa

Com a conclusão do inquérito, os autos foram encaminhados ao Poder Judiciário. O Ministério Público será responsável por avaliar se há elementos suficientes para oferecer denúncia e dar início ao processo penal.

Em nota, a defesa do investigado informou que ainda não teve acesso à íntegra do relatório final apresentado pela Polícia Civil e que já protocolou pedido formal ao juízo para obter o documento. Segundo o advogado, apenas após a análise detalhada dos autos será possível elaborar uma defesa técnica adequada. A nota também reforça que o líder religioso deve ser considerado inocente até o trânsito em julgado de eventual sentença condenatória e reafirma “o compromisso com a verdade, com o direito de ampla defesa e com a adequada elucidação dos fatos”.

Relembre o caso

O caso começou a ser investigado após denúncias de mulheres que relataram abusos durante rituais religiosos conduzidos por um médium de 47 anos, que se autodenominava incorporador da entidade “Sete Punhal”. O homem foi preso preventivamente no bairro São Pedro, no último dia 9. Segundo a Polícia Civil, ao menos 15 vítimas, com idades entre 24 e 42 anos, afirmaram ter sofrido violações sexuais mediante fraude e importunações sexuais, algumas ocorridas nos últimos três anos.

De acordo com os relatos, o investigado usava a fé e a espiritualidade como ferramenta de manipulação psicológica, fazendo promessas de cura de doenças, proteção espiritual e resolução de problemas pessoais. As práticas incluíam pactos nos quais as mulheres eram induzidas a manter relações sexuais, além de banhos ritualísticos em que eram untadas nuas com ovos e quiabo. Muitas vítimas relataram que o medo de represálias espirituais ou perseguições físicas as manteve em silêncio por meses.

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