A Prefeitura de Itabira anunciou a implantação de um ecodistrito industrial no terreno da Fazenda Palestina, às margens da rodovia MG-120. O projeto, considerado estratégico para a diversificação da economia municipal, tem início de operação previsto para daqui a dois anos e deve movimentar cerca de R$ 1,1 bilhão por ano quando estiver em pleno funcionamento.
O empreendimento contará com aproximadamente 500 mil m² de área destinada à construção, distribuída em 33 lotes de 10 mil m² e sete lotes de 30 mil m². Ao redor, serão preservados 1,5 milhão de m² de mata atlântica em regeneração, o que dará ao distrito um perfil ambiental diferenciado em comparação aos polos industriais tradicionais.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico de Itabira, Leonardo Pontes Guerra, a expectativa é de que o ecodistrito receba empresas dos setores de alimentos, farmacêutico, metalúrgico e de reaproveitamento de rejeitos de minério. “Os distritos industriais de Itabira, hoje, empregam em torno de mil pessoas. Com o ecodistrito, você pode ter três vezes isso, pode ocupar [empregar] 3 mil pessoas, empregos formais da indústria. Pode projetar até 10 mil, dependendo do tipo de atividade”, afirmou.
Diferenciais ambientais e logísticos
O ecodistrito foi planejado dentro do programa Itabira Sustentável, em parceria com a Vale e outras empresas locais, como a Belmont e a Vale Verde. O conceito prevê práticas de eficiência energética, gestão de resíduos e preservação ambiental. “[É um] Ecodistrito porque ele vai trazer as melhores práticas de tratamento de resíduos, de consumo de combustível, nesse sentido. Inclusive, 60% da área é de regeneração de mata atlântica. Então, ele vai ter um aspecto ambiental diferenciado daquela paisagem industrial normal, seca, sem arborização, sem vida animal”, disse Leonardo Pontes Guerra.
A localização também é considerada estratégica. O espaço se conecta à BR-381, facilitando o acesso tanto para a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) quanto ao Vale do Aço e a Governador Valadares. “Está próximo à localização, a Leste, que é um eixo de expansão com a melhoria [duplicação] da BR-381 — e que aponta para o Vale do Aço, para [Governador ]Valadares, para Teófilo Otoni. Essa logística é um atrativo para empresas que buscam terrenos amplos e bem estruturados”, ressaltou Leonardo Pontes Guerra.
Potencial econômico e desafio de continuidade
Além da geração de empregos, a prefeitura projeta que o ecodistrito fortaleça o setor de transformação em Itabira e contribua para o desenvolvimento dos polos de saúde, tecnologia e turismo. Para que esse potencial se concretize, no entanto, será necessário um trabalho contínuo ao longo das próximas gestões administrativas do município.
“O projeto precisa ser encarado como política de estado, não apenas de governo. É fundamental que as lideranças políticas, empresariais e a sociedade civil em geral compreendam sua importância estratégica para garantir continuidade, independente de mudanças das gestões administrativas municipais; Como disse o prefeito Marco Antônio Lage [PSB], é uma política estratégica para a cidade que vai durar e passar por vários anos para ser conduzida até chegar ao seu pleno funcionamento”, destacou Leonardo Pontes Guerra.
Em fase final de estudos técnicos e topográficos, o ecodistrito seguirá agora para o licenciamento ambiental, previsto para durar cerca de um ano — com a expectativa de que esse processo comece ainda neste mês de setembro.

