Representante de Itabira no Campeonato Mineiro de Futsal Feminino sub-20, disputado neste fim de semana no Ginásio Poliesportivo, o Itabirano Esporte Clube, infelizmente, não conseguiu grandes resultados. O clube foi derrotado pelos seus dois adversários do Grupo B – o time da Prefeitura de João Monlevade e o Liespe, de Ipatinga -, mas nem tudo são más notícias. Hudison Vitor, treinador do IEC, conversou com a DeFato sobre as frustrações, os feitos e o desempenho do seu time na competição. Também conversamos com a secretária municipal de Esporte e Lazer, Natália Lacerda, responsável por trazer os jogos a Itabira.
Destaques positivos e negativos
À DeFato, Hudison lamentou o resultado obtido pelo Itabirano nas semifinais do Mineiro Sub-20. Porém, ele destacou alguns pontos positivos dos dias de jogos, como o poder de reação das suas comandadas.
“Em relação ao resultado, nossa participação foi muito ruim. Mas o que avaliamos é o amadurecimento de algumas atletas em relação ao desempenho nas competições de alto nível como o Campeonato Mineiro. Gostamos do poder de reação que elas tiveram no primeiro jogo, onde estávamos perdendo por três gols de diferença, conseguimos nos aproximar do placar e ficamos próximo ao ataque. O que foi pedido nos treinamentos, as meninas conseguiram colocar em quadra e infelizmente não tivemos êxitos nos resultados. Houve algumas falhas individuais que mexeram como o emocional da nossa equipe e isso foi o fator que nos prejudicou nessa competição. Além das duas grandes equipes que enfrentamos”, analisa.
O treinador também falou sobre a importância das suas atletas jogarem ao lado das melhores do estado. Para ele, isso promove um desenvolvimento coletivo e individual do time. “É muito importante as meninas estarem competindo entre as melhores do estado. Isso valoriza o nosso trabalho na cidade e faz com que as meninas possam ser desafiadas em um grande nível, o que ajuda no desenvolvimento individual e coletivo das nossas atletas”.
Desfalque pesado
Perguntado sobre o que poderia ter funcionado melhor durante os três dias de jogos, Hudison cita a lesão da jogadora Ana Clara como fator determinante para a queda de desempenho. O professor também chama a atenção para a falta de rivais para o IEC na região, o que atrapalha a preparação para disputas de alto nível, como o próprio Mineiro.
“Infelizmente, a Ana, uma atleta importante para o nosso elenco, teve uma lesão durante a semana e isso mexe com o emocional de toda a equipe. As meninas são unidas e a dor de uma delas acaba afetando as demais. Se não tivesse essa lesão na semana do campeonato, poderíamos ter um resultado melhor. Tivemos um grande suporte da diretoria do Itabirano, isso foi válido para que a comissão pudesse se preocupar apenas com o desempenho dentro de quadra. Mas, infelizmente, ainda temos poucas atletas na cidade e isso nos prejudica na preparação, pois, não temos muitos adversários para competir por aqui na região. Temos que viajar para amistosos e torneios preparatórios, mas o custo é alto e não conseguimos jogar com frequência. Acredito que com novos patrocinadores e apoio de parceiros, vamos conseguir jogar mais vezes e chegar mais preparados para o ano que vêm.”
O fator casa, que poderia ser um diferencial para o time itabirano, também impactou, segundo pessoas do clube. No ponto de vista do coordenador da equipe Carlos Ildefonso, a cobrança em excesso de torcedores e familiares pode ter atrapalhado as atletas.
“Jogar o Campeonato Mineiro já é uma pressão para todos, tanto atletas, quanto comissão e diretoria. Isso gerou uma ansiedade para ganhar os jogos na presença da nossa torcida, que acabou nos prejudicando um pouco durante os jogos. Mas o Hudison (treinador) e o Daniel (preparador físico), durante a preparação para o campeonato, conversaram muito com as meninas sobre a pressão da torcida e isso amenizou um pouco. Durante os jogos, eles também orientaram as meninas sobre isso e em alguns momentos elas ficaram mais tranquilas dentro de quadra e conseguindo desempenhar o melhor delas. Tivemos algumas dificuldades com alguns torcedores e familiares que cobraram em excesso das nossas atletas e isso pode ter prejudicado elas também, mas é tudo muito novo para todos e na próxima vamos estar mais preparados”, diz.
Mas, com a mesma velocidade de um jogo de futsal, o Itabirano tentar juntar os cacos e se preparar para os futuros desafios. Um deles é a Taça Valadares, além, claro das competições de 2023.
“Esse ano ainda temos a disputa da Taça Valadares, que também tem um nível muito alto e vai ser de grande valia para nossas atletas. Após essa competição, vamos começar o planejamento para 2023 e correr atrás de patrocinadores, para disputarmos grande campeonatos no ano que vêm. Do nosso elenco atual, só uma atleta não poderá jogar no sub-20 do ano que vem, então temos grandes expectativas, já que vamos manter quase todo o elenco e agora com uma experiência maior”, conclui Hudison.
Palavras da secretária
Secretária municipal de Esporte e Lazer, Natália Lacerda foi citada, por membros do IEC, como a responsável por trazer a disputa das semifinais do Mineiro sub-20 a Itabira. De acordo com ela, tal medida coloca o município no mapa de eventos esportivos do estado e representa um alívio financeiro ao Itabirano.
“Isso foi possível a partir dos investimentos que a SMELJ reservou para que pudesse trazer esse evento a nossa cidade, e ao mesmo tempo, apoiar o IEC como clube participante deste campeonato. A gente conseguiu apoiá-los na participação no evento, eximindo os custos de transporte, alimentação, hospedagem, toda a logística que envolveria eles se deslocarem de Itabira para outra cidade. E também seguimos a premissa do nosso governo, que é colocar Itabira nesse calendário de atividades regulares, como vértice do esporte na região. Além de promover a integração dos espectadores num momento de lazer, convívio e família”, ressalta.
“O principal é fomentar as entidades de esporte e lazer da nossa cidade por meio desse apoio na participação do Itabirano, que nos representou. Tivemos essa ação indo ao encontro com que a gente preconiza para a política de esporte e lazer da cidade, que está sendo amplamente consolidado por todas as partes que estão contribuindo para que a gente chegasse até onde chegamos”.
Além disso, a líder da SMELJ enfatiza que foi uma maneira de trabalhar políticas públicas para a consolidação da participação feminina nos esportes, entre eles o futsal.
“É uma oportunidade para as pessoas assistirem uma partida do Campeonato Mineiro, de qualidade, na categoria feminina, que é o que a gente busca recorrentemente. Fazer com que as políticas públicas consigam alcançar a questão do gênero no esporte, ainda mais no futebol e no futsal”.

