Na tarde da última quinta-feira (3), durante a reunião ordinária da Câmara Municipal de Itabira, o vereador Sidney Marques Vitalino Guimarães “do Salão” (PTB) utilizou a Tribuna para prestar um forte depoimento. O parlamentar teceu duras críticas à atual administração municipal, com a qual tem adotado uma postura de oposição. Além disso, também comentou sobre o projeto 10/2022, que cria a Política Municipal e Conselho LGBTQIA+ de Itabira, dizendo ser contra a alguns pontos da matéria e, por isso, deverá apresentar emendas com alterações ao texto na próxima semana.
“Sou a favor do movimento, entendo que todos os cidadãos tem o direito de se manifestar. Porém não sou favorável ao projeto de lei 10/2022 nos termos que chegou nessa Casa da Lei. Como disse, há legislação que ampara todos os cidadãos indiferente de raça, cor, religião ou orientação sexual. Estarei protocolando minha emenda, assim que o projeto entrar em discussão”, explicou Sidney do Salão à DeFato.
O petebista, que já foi travesti, denunciou que também tem sido alvo de ataques preconceituosos nas redes sociais — assim como a professora Laura Souza, que se viu em meio a uma enxurrada de comentários homofóbicos e machistas após ser indicada para secretária de Educação pelo prefeito Marco Antônio Lage (PSB).
“O segundo sentimento que toma o meu coração é que eu não devo nada a ninguém e isso me faz estar aqui hoje de cabeça erguida, tranquilo, diante dos ataques e baixarias que fizeram com a minha pessoa nos últimos dias pelo fato de que eu já fui travesti e sou tranquilo em dizer que o movimento LGBTQIA+ se faz necessário”, afirmou Sidney do Salão em trecho do seu discurso.
“Sendo quem eu sou, vivendo como quis viver, trabalhei a minha vida toda sem depender de política ou político para me ajudar. Sobrevivi da mesma maneira. Tenho dezenas de colegas e amigos que são muito bem resolvidos e que nada querem do poder público além de respeito. Estou nesta Casa sem ter nada a me prender a grupo ou a pessoa que me obrigue a apoiar ou votar contra aquilo que vai contra os meus valores ou que possa prejudicar a quem quer que seja. Sendo assim, essa palhaçada que se instaurou nos últimos dias, essa guerra política, travestida de guerra contra o movimento LGBT, é uma prova da incapacidade desta gestão que está aí: mediar conflitos e solucionar problemas da sua gestão”, continuou o vereador.
Sidney do Salão iniciou o seu discurso afirmando que, nos últimos meses, vem tentando demonstrar que Itabira vive “tempos difíceis em termos de gestão da cidade” e que está “no meio de uma crise administrativa”. Segundo ele, mesmo com um grande orçamento, o prefeito Marco Antônio Lage não tem conseguido oferecer serviços como operação tapa-buraco e recomposição asfáltica, coleta de lixo e limpeza urbana. Ele também condenou a intensa troca de secretários municipais e a mudança constante de pessoas que ocupam cargos comissionados.
Para ele, toda essa situação ganha contornos mais sérios com a possível crise institucional na Prefeitura de Itabira, evidenciada por um áudio vazado em que o vice-prefeito Marco Antônio Gomes (PL) afirma não concordar com decisões tomadas por Marco Antônio Lage — como a nomeação da professar Laura Souza e o envio do projeto de lei 10/2022.
“Nas últimas horas veio a público o que todos nós já sabíamos: prefeito e vice mantém fachada de amigos, mas na verdade o pau está quebrando entre eles. Quem conhece o médico, empresário e pastor Marco Antônio Gomes sabe que ele não concorda com coisa errado. E a briga que vem a público agora ficou evidenciada há meses, ele mesmo [Marco Antônio Gomes] deixou claro que não concordava com ações do prefeito e de vários secretários, e no áudio ele diz isso. Lamento que a nossa cidade, com a arrecadação que tem, tenha passado por tantos problemas por falta de gestão”, ressaltou Sidney do Salão.
O petebista também creditou a atual crise moral e política que atingiu Itabira às ações do Executivo Municipal. Para ele, enviar o projeto de lei 10/2022 e anunciar a indicação de Laura Souza à Secretaria de Educação em um mesmo período acabou por causar uma grande exposição negativa à comunidade LGBTQIA+ sem necessidade — ainda mais com posicionamento contrários a essas decisões por parte do vice-prefeito e tendo como resultado comentários com teor preconceituosos do deputado estadual Léo Portela (PL), que apoiou Marco Antônio Lage durante as últimas eleições.
“Eu acho que houve uma mistura do projeto de lei com a troca de secretária e de pessoas agindo de má fé. Isso trouxe um transtorno muito grande para a nossa cidade, tanto que fomos parar na mídia geral do Brasil”, avaliou Sidney do Salão.
“Eu também fui vítima nos últimos dias. E todos aqui conhecem a minha história. Eu quero dizer que essa briga política é interna, do próprio governo. Não foi a oposição que trouxe isso, é o próprio vice-prefeito e o próprio deputado que apoia eles. Agora, jogar o projeto, jogar a secretária e tentar fazer essa confusão em nossa cidade está nos fazendo perder tempo. Outra coisa, é falta de gestão do próprio prefeito, ele tem que resolver”, disparou Sidney do Salão.

