O dia 17 de outubro nunca sairá da memória do itabirano Guilherme Guerra. Durante boa parte dele, momentos de muita alegria ao lado de outros dois amigos. À noite, um capotamento de carro que levou um parceiro do futebol e da vida. Guilherme estava presente no acidente que vitimou Jeferson Júnior de Oliveira, servidor itabirano de 21 anos. Ambos eram membros da Cachazeiros, tradicional torcida organizada cruzeirense.
Jeff, como era conhecido entre os amigos, recebeu homenagens dos colegas de trabalho do Samu e do próprio Cruzeiro no dia seguinte ao acidente. E não foi em vão. Ele é descrito por todos como alguém carinhoso, parceiro e de grande coração. Ainda se recuperando física e psicologicamente do acidente, Guilherme comenta a parceria de arquibancada.
“Partilhamos grandes momentos ao lado do Jeff. Enquanto torcida, nos unimos neste ano, e vivemos grandes memórias, repletas de sorrisos, boa resenha e muita risada. Entre essas histórias, podemos mencionar o jogo em que ele levou o seu pai e a irmã, a Caravana do Cruzeiro aqui em Itabira, a festa da comemoração do acesso na Praça 7… E até mesmo a comemoração pós jogo contra o Vasco, onde eu me machuquei, ele me levou no hospital, e na volta fui apoiado nos ombros dele até a porta da minha casa. Foram momentos inesquecíveis para todos que estavam presentes, e que não seriam a mesma coisa se ele não estivesse lá”, comenta.
Sobre o fatídico 17 de outubro, o cruzeirense relembra com carinho alguns dos momentos compartilhados entre os dois durante o passeio em uma cachoeira da região. Na oportunidade, Jeff ainda havia confidenciado ao amigo que aquele vinha sendo um dos melhores dias do ano.
“A gente teve um dia muito bom lá na cachoeira. Conversamos muito sobre a vida, sobre planos pro futuro (carreira, metas, viagens…) e rimos o tempo todo. Em dado momento, quando estávamos recolhendo as nossas coisas para ir embora, ele disse que aquele dia tinha sido um dos melhores de 2022. Infelizmente, na volta aconteceu aquilo tudo.
“Pessoalmente, tanto eu como o Nathan, o outro ocupante do veículo, estamos muito abalados e lidando com o trauma do acidente. Não conseguimos expressar direito, estamos tentando assimilar essa perda imensurável e lidar com esse trauma. Confiamos em Deus e no tempo, para que, assim como a família dele, sigamos em frente. É um momento de muita dor”.
Frequentador assíduo
Paralelo à rotina como membro da Cachazeiros, Jeferson também tinha seu trabalho como operador de frota do Samu em Itabira. Ainda assim, as idas ao Mineirão eram frequentes, garante Guilherme.
“Jeff era um torcedor assíduo, que ia ao Mineirão há muitos anos. Ele frequentava de acordo com sua disponibilidade, pois tinha que conciliar com os plantões do Samu e demais obrigações da sua vida. Mas, sempre que possível, estava presente fazendo a festa com nossa galera”, detalha.
Até por isso, a torcida organizada já pensa em homenageá-lo por meio de cantos e faixas. “Preservaremos para sempre a memória do nosso amigo. Jeff seguirá vivo em nossos corações e permanecerá em nossas orações. Nas caravanas, levaremos sua presença através dos nossos cantos, sorrisos e de uma faixa, na qual o homenagearemos”.
“Perdemos um irmão, um amigo para todas as horas e uma das pessoas mais iluminadas com quem tivemos a oportunidade de conviver. Jeff era sinônimo de bondade, parceria, união. A vida, a bancada e as caravanas não vão ser as mesmas sem a presença dele. As subsedes de Itabira e Sete Lagoas e a sede de BH sentiram e continuarão a sentir muito a sua falta”.
Importância para a torcida
Amigo de Jeferson há cerca de dois anos, Márcio Mariano, ex-diretor da Cachazeiros em Belo Horizonte, comenta a relação iniciada nas redes sociais e que se tornou muito forte com o passar dos anos.
“Eu conheci o Jeff através das redes sociais, lá pra 2020, 2021 a gente começou a conversar. Lembro que fiz uma postagem dizendo que estava triste, e de imediato ele me chamou, me perguntou sobre como poderia me ajudar. Desde esse dia, viramos muito amigos. Ele contava as coisas pra mim, eu contava para ele. Passei por um momento difícil na minha vida e ele sempre me apoiando, a gente feliz com as conquistas um do outro. Então, o Jeff era um amigo excepcional e cruzeirense como eu”, destaca.
Márcio conta que, embora não tenha sido o fundador da subsede itabirana da Cachazeiros, o servidor foi fundamental para a criação do grupo. O ex-diretor da torcida organizada ainda deixa um último recado ao amigo.
“Na época, eu já fazia parte da Cachazeiros, era diretor. Ciente de que ele morava em Itabira, sempre falava pra ele abrir uma subsede na cidade, porque tinha uma galera que sempre vinha para Belo Horizonte assistir aos jogos no Mineirão. Acabou que outros amigos começaram a puxar e ele veio junto com esse pessoal, e a gente sempre se via nos jogos no Mineirão. Eu falava com os meninos de Itabira que o Jeff era meu menino, amigo, companheiro, para cuidar dele nas viagens, para fortalecer no que fosse preciso. E se a Cachazeiros de Itabira existe hoje, ele tem um percentual enorme por tudo que fez. Não dá para descrever o coração bondoso que ele tinha, o sorriso maravilhoso que aquele moleque tinha… descanse em paz, meu amigo, você será sempre lembrado por nós. Te amo muito!”.

