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Jimmy Cliff: lenda do reggae fez show em Itabira há quase 35 anos; veja fotos

Fotos: Foto Silva Taquinho/Acervo Grupo 4º Plano

A morte de Jimmy Cliff, aos 81 anos, nesta segunda-feira (24), levou muitos itabiranos a retomarem lembranças de um dos episódios mais marcantes da cena cultural local: a apresentação do artista no campo do Valério, em 12 de dezembro de 1990. Quase 35 anos depois, o produtor cultural Cleber Camargo, responsável por articular a vinda do jamaicano, revisita a experiência, da qual ele elenca como uma das mais desafiadoras e, ao mesmo tempo, gratificantes de sua trajetória.

Segundo Cleber, a oportunidade surgiu de forma inesperada. A turnê brasileira de Jimmy Cliff passaria por Belo Horizonte, e Itabira viu ali uma chance rara. “Foi uma oportunidade que apareceu em menos de 15 dias. A gente articulou, ele estava fazendo a turnê no Brasil e iria se apresentar em Belo Horizonte. Como nós sabíamos, entramos em contato com os responsáveis pela turnê e conseguimos viabilizar”, relembra. O show de abertura ficou a cargo de Markú Ribas. 

A mobilização foi intensa e enfrentou obstáculos típicos, mas ampliados pela dimensão do artista. Chuva, boatos e contrainformação atrapalharam a divulgação. “Muita gente não acreditava e muita gente depois ficou arrependida de não ter ido”, brinca. A desconfiança de parte do público alimentou rumores de que o show não aconteceria ou de que Jimmy Cliff não viria, algo comum numa época em que grandes atrações internacionais dificilmente passavam por cidades do interior. Além dos boatos, houve falsificação de ingressos.

Apesar das dificuldades, o evento aconteceu como planejado. Para Cleber, tratou-se de uma das maiores produções já realizadas por ele. “Hoje eu fico imaginando o tamanho daquilo. Depois é que a gente foi entender a importância de ter feito aquele evento”, comenta. O produtor também recorda a relação tranquila com o artista e sua equipe. “Foi uma alegria ter trabalhado com o Jimmy Cliff. Ele foi super tranquilo, a equipe super tranquila”. Sobre a apresentação, não hesita: coloca o show entre os cinco melhores que já assistiu.

Passadas três décadas, Cleber avalia que Itabira viveu um feito raro. “A gente teve a oportunidade de trabalhar com um dos maiores artistas do mundo. Depois fui entender ainda mais o tamanho do cara”, diz o produtor cultural, elencando Jimmy Cliff ao lado de Bob Marley e Peter Tosh, como o tripé fundamental do reggae mundial.

Com a morte do artista, Cleber Camargo reconhece que um sonho se encerra, o de trazê-lo novamente à cidade. Ainda assim, mantém a sensação de ter participado de algo histórico. “Valeu a pena a luta. Está na história do cara. A gente teve retorno de que ele gostou muito de ter feito o show.” Para quem esteve no Ginásio do Valério naquela noite, fica a lembrança de ter visto de perto uma lenda. Para quem perdeu, como resume Cleber, resta a certeza de que foi “uma grande oportunidade” que não volta, mas que deixou marca duradoura na cultura itabirana.

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