Renovação é a palavra de ordem no Atlético. Para a temporada 2020, o clube dispensou “medalhões”, contratou jovens jogadores e aposta no venezuelano Rafael Dudamel como treinador da equipe. Quem fica na espera para também fazer parte deste novo ciclo são os garotos da categoria de base do clube, que por sua vez adota um discurso de aproveitar os talentos formados na casa.
É nisso que Alessandro Vinícius, 20 anos, natural de Santa Maria de Itabira, se apega para chamar a atenção e receber uma nova chance na equipe profissional. Em entrevista a DeFato Online, o jovem meia-atacante falou sobre os primeiros contatos com o futebol, revelou como chegou ao Atlético e descreveu a “tarde mágica” em que estreou pelo profissional. Confira a entrevista completa.
Como foram os primeiros contatos com o futebol em Santa Maria? Como é a relação com a cidade hoje em dia?
Comecei aos 6 anos, no projeto Além da Bola, comandando pelo professor Daniel [Procópio]. Eu sempre gostei de jogar futebol na rua com meus amigos, sempre nos reuníamos todas as tardes para jogar na rua da minha casa. Hoje, sempre que posso vou pra lá. Ou meus familiares e amigos vêm aqui em Belo Horizonte, para passar alguns dias comigo. A rotina é sempre muito corrida, e fica meio complicado ir à Santa Maria com muita frequência, mas sempre que tenho uma pequena folga vou para a cidade.
Como surgiu o interesse do Atlético?
Um observador do clube visitou o Além da Bola, entre 2008 e 2009. Ele me viu jogando com atletas mais velhos e achou interessante. Aos 11 anos vim fazer uma avaliação no Atlético, onde fui aprovando e estou há quase 11 anos.
Como foi a adaptação ao chegar no clube? Mesmo na base, há a pressão para mostrar futebol?
No início, adaptação foi um pouco difícil. Cheguei muito novo, mas já com a pressão de representar um clube como o Atlético Mineiro, mesmo na base é uma responsabilidade muito grande. Mas temos a melhor estrutura do Brasil, temos suporte psicológico, assistencial. Temos seis refeições ao dia, com acompanhamento das nutricionistas. Então, o Atlético trabalha muito bem seus jovens para estarem preparados para chegar ao profissional e aguentar a pressão de jogar num Mineirão lotado.
Como foi a subida para a equipe profissional?
Em 2018 tive um início de ano maravilhoso. Fiz diversos gols e fui artilheiro do Campeonato Mineiro Sub-20. Num certo dia, o então diretor, Alexandre Gallo, foi acompanhar um jogo da nossa equipe, e acabei fazendo um gol e dei uma assistência. Após o jogo, ele se reuniu com meus treinadores naquele ano, Rodrigo Santana e Anderson Valinas. Na segunda-feira, após o treino, fui comunicado que faria parte do elenco principal e que já era para me apresentar à tarde, para treinar com os demais companheiros. Foi uma sensação inexplicável. No momento que eu recebi a notícia comecei a chorar, pois era a realização de um sonho. Estava num grupo com vários jogadores experientes, que já ganharam muitos títulos em suas carreiras.
Como soube e o que sentiu ao ser relacionado pela primeira vez para jogar pelo profissional? O que o então treinador à época, Levir Culpi, pediu para fazer em campo?
Foi uma tarde mágica. Nos dias antes da partida, estava com pouco espaço na equipe. Mas na semana da estreia o professor Levir pediu para fazer um treinamento na lateral e fui bem. Chegando na véspera do jogo, olhei a relação e meu nome estava na lista. Fiquei muito feliz, já imaginado jogar no Independência. Na estreia, no segundo tempo do jogo, o preparador físico apontou pra mim, dizendo que eu ia entrar. Na hora deu um frio na barriga, mas já estava mentalmente preparado e esperando essa oportunidade. O Levir me disse: ‘Você vai entrar pela ponta direta. Faz tudo o que você fez no treinamento. Seja ousado, vai pra cima dos caras e não se preocupe. Você tem minha confiança e de todos aqui’. Então fiquei mais solto pra jogar. Entrei bem, tive uma oportunidade pra marcar, mas infelizmente não fiz o gol. Mas aquela tarde vai ficar marcada pra sempre em minha vida.
Depois das participações no Campeonato Mineiro, veio a lesão no ligamento do tornozelo esquerdo. Qual foi a sensação ao saber da gravidade da lesão e como foi o processo de recuperação?
Foi um momento delicado, principalmente porque estava me firmando no elenco profissional. Mas, como eu disse, o Atlético tem uma estrutura fantástica, com os melhores profissionais para trabalhar a recuperação dos atletas. E também foi um momento de reflexão, para saber valorizar cada minuto, cada segundo que você tem a oportunidade fazer o que você ama. Quando eu estava impossibilitado de jogar, pensava que poderia ter aproveitado melhor aqueles três, quatro minutos em que que tive a oportunidade de atuar. Também me aproximei de outros jogadores, que estavam numa situação parecida. E eles me deram conselhos e me tranquilizaram ao dizer que todos os jogadores passam por essa fase ruim.
Agora de volta aos gramados, como está a ligação com o elenco profissional? Como espera despertar a atenção do Rafael Dudamel para ganhar uma nova chance na equipe principal?
Hoje estou na equipei de transição, entre as categorias de base e o profissional, aguardando uma nova oportunidade. O professor que chegou já disse que gosta de utilizar jogadores jovens, então sigo me preparando e dando o meu melhor, na esperança de ter outra chance.
O que o Alessandro Vinícius espera da carreira para o futuro?
Eu sonho em jogar no Atlético, conquistas títulos, construir uma história no clube, poder ser ídolo aqui. Tenho muita admiração por todos do Atlético, pois todos têm sido muito importantes pra mim neste período de transição, que é o momento em que tudo é muito novo para o jogador que vem da base. Sempre que é possível, converso com outros jogadores, profissionais do clube e comissão técnica, para aprender um pouco com cada um deles.

