A vaga aberta no STF (Supremo Tribunal Federal) com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso tem provocado expectativa quanto ao possível indicado pelo presidente Luíz Inácio Lula da Silva (PT) para vacância no cargo.
Apontado como favorito à vaga, o ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias enfrenta uma campanha dos ministros da Corte em favor do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que conta com o apoio irrestrito do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil -AP).
Com a proximidade do fim do mandato de Barroso, a movimentação dos ministros do STF se intensificaram no segundo semestre de 2025.
Os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin demonstram mais simpatia pelo nome do senador mineiro.
A articulação pró Pacheco foi intensificada em julho, quando o governo decidiu brigar na Justiça pela reativação do decreto com elevações no IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) após derrubada pelo Congresso Nacional.
Na noite de terça-feira (14), o presidente Lula recebeu Gilmar Mendes, Dino e os ministros Cristiano Zanin e Ricardo Lewandowski (Justiça) no Palácio da Alvorada para discutir a sucessão.
Lula orientou que a AGU (Advocacia-Geral da União) entrasse com um pedido de declaração de constitucionalidade do decreto presidencial que aumentava as alíquotas do IOF, e, como ministro-chefe da AGU, Messias seria o interlocutor ideal para negociar com a Corte, mas os ministros encamparam um movimento em favor de Pacheco nessa missão.
Pacheco já vinha se alinhando aos ministros do STF ao ponto de ser prestigiado no Fórum Jurídico de Lisboa, evento organizado pelo instituto de Gilmar Mendes, oportunidade em que Pacheco foi um dos palestrantes em um painel que teve também o prestígio de Alexandre de Moraes.
Foi em Lisboa que ministros do Supremo e congressistas tentaram indicar Pacheco como interlocutor entre o legislativo, executivo e Supremo para a crise do IOF. Mas Lula manteve a tarefa a cargo de Messias, ao lado do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o que gerou reclamação dos magistrados em conversas reservadas, sobre a dificuldade de interlocução com o Planalto.
Um ministro afirmou à Folha de São Paulo em julho, que faltava interlocução de alto nível entre o Planalto e o tribunal, e os reclames de insatisfação com o governo recaíam sobre Messias.
Enquanto presidente do Senado, Pacheco manteve estreito relacionamento com o Judiciário, quando a Corte vivia sob ataque de bolsonaristas.
À colunista Mônica Bergamo, em agosto, Gilmar Mendes anunciou que o seu candidato à vaga no Supremo era Pacheco.
“A Corte precisa de pessoas corajosas e preparadas juridicamente e o senador Pacheco é o nosso candidato. O STF é jogo para adultos”.
Fonte: Estado de Minas

