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Jornalista itabirana representa a nova perspectiva da mulher na mídia esportiva

mulher no jornalismo esportivo

Natural de Itabira, Sara Zeferino representa o crescimento da participação feminina no jornalismo. Foto: Bryan Gonçalves

Na longínqua década de 80, Regiani Ritter se juntou ao time de comentaristas do Mesa Redonda, tradicional atração da TV Gazeta, e se tornou a única mulher no jornalismo esportivo durante aquele período.

Hoje, aproximadamente 30 anos depois, as mulheres continuam buscando seu espaço na mídia esportiva. Mas se há algum tempo a presença feminina era quase rara ou limitada a papéis secundários, atualmente estas profissionais ocupam funções como repórteres, apresentadoras e comentaristas.

A caminhada continua longa, mas as perspectivas mudaram. E Sara Zeferino, estudante de Jornalismo na PUC-BH, é um símbolo desta evolução. Com referências como Natalie Gedra (ESPN), Clara Albuquerque (Esporte Interativo) e Juca Kfouri (UOL), a itabirana transformou seu amor pelo esporte, que o acompanha desde os 7 anos, em seu futuro profissional.

Trabalhando atualmente na Rede Catedral de Comunicação, responsável pela Rádio América e a TV Horizonte, Sara estabelece como meta quebrar as barreiras machistas do jornalismo e  já possui em mente quais funções profissionais pretende desempenhar.

“Particularmente, o papel do comentarista de programas e transmissões me atrai muito, porque sempre gostei bastante de falar e palpitar sobre jogos e competições. Além disso, também gosto muito da produção, já que acaba fazendo um pouquinho de tudo e gera um imenso aprendizado”, relata.

O futuro

Sobre as expectativas para a sua geração de mulheres jornalistas no futuro, Sara enxerga a situação com bons olhos, ressaltando o legado que as lutas atuais podem gerar:

“Acredito que o futuro tem tudo para ser melhor. Não sei se bom o bastante no sentido de igualdade de gênero, mas, com certeza, o engajamento e a luta de hoje trarão bons frutos lá na frente. Cada conquista feminina é uma porta que se abre para outra mulher.”

A estudante está atualmente no sétimo período do curso. Foto: Letícya Souza

Vocacionada à área da comunicação desde o ensino médio, ela salienta que a presença das mulheres é mais forte em outras editorias, como Política e Cultura, e faz uma alerta sobre a falta de representatividade feminina no meio esportivo:

“Um belo exemplo da ausência de representatividade é o fato de a primeira vez que uma comentarista mulher participou de uma transmissão de partida na Globo foi em 2019, durante a Copa do Mundo Feminina. Parece normal para alguns, mas é impressionante pensar que o futebol é transmitido pela TV desde os anos 50 e somente em 2019 uma mulher teve espaço para comentar e, ainda assim, sofrendo todo o descrédito e vários questionamentos por estar ali”, explica.

“É gritante a diferença no número de mulheres e homens presentes na área de jornalismo esportivo. O homem pode cometer erros sobre dados e análises, mas a mulher nunca está permitida a falhar porque, caso aconteça, passam a atacar toda a classe feminina e afirmar que ‘mulher não serve mesmo pra comentar futebol’. Então quando uma mulher está ali, ela nunca está só, porque ela representa outras e mostra a elas onde podem chegar. Por isso a importância da representatividade.” 

Preconceito

Dona do seu próprio conteúdo esportivo, a estudante de 21 anos produz vídeos em seu instagram (@sara_zeferino) nos quais aborda o futebol sob um ponto de vista político. E o exercício de opinar sobre futebol é um desafio para mulheres como Sara, já que, constantemente, elas se deparam com reações de menosprezo por parte dos homens:

“Às vezes quando eu falo de futebol, alguns olham como se dissessem ‘essa menina nem sabe o que tá falando’, sem nem ser necessário verbalizar isso, porque já dá pra sentir o preconceito na forma como a pessoa se dispõe a ouvir. Além disso, também rola um preconceito com as idas ao estádio, muitos pensam que ali não é lugar de mulher ou que ela foi lá e gastou dinheiro ‘só para ver os atletas correndo e jogando bola’”.

A itabirana está desde 2017 em Belo Horizonte. Foto: Arquivo pessoal

E qual o caminho para desconstruir essa cultura? Segundo a jovem jornalista, a luta deve começar ainda na infância, revisando a forma como educamos nossas crianças, e passando, claro, pelo aumento de oportunidades no mercado de trabalho:

“Acho que antes de tudo é muito importante acabar com esse pensamento de que futebol é só para homem. Isso é colocado desde a infância: bola pra menino e boneca para menina. O futebol é plural, deve ser para todos os gêneros, classes e raças. Muitas vezes a mulher não se aproxima do futebol como o homem porque esse mundo não é apresentado à ela, e não tem como gostar de algo sem antes conhecer.”

“Chegou a hora de aceitarmos que a mulher pode sim gostar de futebol e pode sim comentar sobre, sem ter que saber a escalação de algum time de 1965. É importante nos dar espaço no jornalismo esportivo, mas também é muito importante que essa fala de ‘futebol é pra menino’ seja deixada de lado. A partir disso iremos evoluir muito como sociedade.”

Por fim, Sara deixa um recado aos apaixonados por esportes, sejam homens, mulheres ou quaisquer outros gêneros: 

“Quando você ver uma mulher comentando futebol ou até mesmo em outra área do jornalismo, não a enxergue como algo para ‘embelezar’ a transmissão, porque ela está ali fazendo o seu trabalho. Além disso, respeite sempre a opinião e análise, pois uma coisa é discordar, e outra é agredir verbalmente só por ser uma mulher. E às mulheres: não desanimem só porque alguém lhe desmereceu, você não tem que provar nada a ninguém!”

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