José Dirceu (PT), ex-ministro da Casa Civil, em entrevista à BBC Brasil, publicada na segunda-feira (6), disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por trama golpista, “não tem condições de ir para uma prisão comum“.
“Acho muito improvável que se possa colocar presos vulneráveis no sistema carcerário que é controlado pelo crime organizado. As condições são péssimas”.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por determinação do ministro Alexandre de Moraes, por descumprimento de medidas cautelares em investigação.
Segundo Dirceu, que já ficou preso por cinco vezes em seus quase 80 anos, o estado de saúde de Bolsonaro o impede de cumprir pena no sistema carcerário.
“Me parece que ele é uma pessoa psicossomática, que vai acelerando. Muito instável. Não é uma pessoa que tem autocontrole”, admitiu.
Dirceu traçou parâmetro com a situação do também ex-presidente Fernando Collor, condenado por corrupção e em prisão domiciliar, e lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpriu pena em unidade prisional. “Não foi assim com o presidente Lula, né? Ele foi preso. É verdade que era uma prisão da Polícia Federal”.
O ex-ministro de Lula criticou os políticos que pedem redução de penas aos condenados do 8 de janeiro.
“Esses que estão falando em diminuir penas agora, nos últimos dez anos, eles aumentaram as penas para tudo no Brasil, sem condições do sistema penitenciário receber os presos”, mas teceu elogios a Valdemar Costa Neto, com quem dividiu cela quando presos no mensalão.
“Valdemar é o político mais hábil que tem na direita, porque ele construiu um partido que tem 92 deputados e elegeu o presidente da República. Então, não vou subestimar. É um dos quadros da direita brasileira mais qualificados”.
Dirceu afirmou que vai disputar uma vaga de deputado federal por São Paulo, atendendo um pedido direto de Lula e será uma “forma de reparação” após as prisões que considera injustas, nos casos do mensalão e da Lava Jato.

