No último domingo (14), os moradores do bairro Santa Marta presenciaram uma cena que poderia fazer parte de qualquer thriller cinematográfico. Após a morte de um jovem — devido a uma possível intoxicação exógena —, autoridades de saúde e policial não se entendem e o corpo fica esquecido por horas sem receber a devida destinação. O descaso causou revolta na população local. Apesar das suspeitas, as causas da morte não foram oficialmente informadas, amostras foram colhidas para análise em Belo Horizonte.
“É a primeira vez que vimos acontecer uma coisa dessas, de chegar ambulância, de chegar viatura da polícia e não resolver. Tivemos um sentimento de descaso social e negligência”, conta Guilherme Henrique, morador do bairro, treinador de futebol e responsável pelo projeto social Independente Juniors.
Segundo relatos de pessoas que presenciaram o ocorrido, por volta das 16h, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado para atender uma vítima de parada cardiorrespiratória. Às 16h26, uma unidade de suporte avançado (USA), que conta com médico e enfermeiro, chegou ao local e realizou manobras de reanimação cardiopulmonar, mas sem sucesso.
Durante os procedimentos, a equipe do Samu constatou que aconteceu uma intoxicação exógena, o que pode indicar overdose de entorpecentes. O óbito foi constatado às 17h37, conforme informações oficiais da Prefeitura de Itabira. Devido a essa situação, a Polícia Militar (PM) também foi acionada.
Após a chegada de uma viatura no local, o médico informou à guarnição policial de que havia uma suspeita de intoxicação exógena — em seguida, às 18h30, retornou à base do Samu. Pelos procedimentos de praxe, a PM deveria ter acionado a Polícia Civil para acompanhamento e para a retirada do corpo por uma funerária.
Porém, isso não aconteceu e o corpo ficou “esquecido” pelas autoridades durante parte da noite. O que revoltou os moradores do Santa Marta, que começaram a buscar alternativas para lidar com a situação. “O Samu esteve lá, encontrou o rapaz com alguns sinais vitais, tentou fazer a reanimação, mas constatou o óbito. Então chamaram a PM. Segundo o pessoal do Samu, a PM acionaria a funerária. Isso durou até à noite e ninguém resolvia nada”, relata Guilherme Henrique.
Em uma nota encaminhada à imprensa, a Prefeitura de Itabira alegou que, por volta das 20h, ao saber que a Polícia Civil não havia sido informada do ocorrido, o secretário de Governo, Gabriel Quintão (PDT), entrou em contato com o delegado plantonista, Diogo Luna, “para esclarecer a situação”.
Somente após essa intervenção, a Polícia Civil fez contato para que a PM voltasse ao local, já acompanhada de uma funerária de plantão.
“Foi um descaso o que fizeram com o corpo do menino. Quando a PM viu o que aconteceu, o que levou ao óbito, teve descaso. Foi uma falta de solidariedade, sem ninguém ajudar. Todo mundo estava revoltado com a displicência da PM, pois precisávamos deles para fazer o pedido à funerária. Não precisava de que o corpo ficasse lá das 15h às 21h”, afirma Guilherme Henrique, traduzindo a falta de amparo que os moradores do Santa Marta sentiram no último domingo.
Nota oficial
Confira a seguir a íntegra da nota da Prefeitura de Itabira:
A respeito do fato ocorrido na tarde deste domingo (15), no bairro Santa Marta, a Prefeitura de Itabira esclarece que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado às 16h05, a partir de uma narrativa que indicava uma possível parada cardiorrespiratória. Foi enviada uma unidade de suporte avançado (USA), com médico e enfermeiro. A equipe chegou ao local às 16h26 e certificou que se tratava de uma parada cardiorrespiratória por intoxicação exógena. Foram feitas manobras de reanimação cardiopulmonar, porém sem sucesso.
O óbito do homem atendido foi constatado às 17h37. A equipe do Samu aguardou no local até a chegada de uma viatura da Polícia Militar. O médico informou à guarnição que havia ocorrido uma suspeita de intoxicação exógena, fato que demandaria acionamento da Polícia Civil por parte da PM. Logo após, a ambulância retornou à base do Samu, às 18h30.
Já por volta das 20h, com a informação de que a Polícia Civil não havia sido informada do ocorrido, como é estabelecido no protocolo, o secretário municipal de Governo, Gabriel Quintão, fez contato com o delegado plantonista Diogo Luna para esclarecer a situação. Depois disso, a PC fez contato para que a Polícia Militar voltasse ao local, já acompanhada de uma funerária de plantão.

