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Júri entra em fase final de deliberação no julgamento de P Diddy

Júri entra em fase final de deliberação no julgamento de P Diddy

Foto: Reprodução Flickr

Após quase dois meses de um julgamento marcado por revelações chocantes, o caso criminal contra o rapper e magnata da música Sean “Diddy” Combs entrou em sua fase decisiva. O júri retoma na manhã desta terça-feira (2) as deliberações que podem selar o destino do artista, acusado de cinco crimes, entre eles tráfico sexual, extorsão e associação criminosa.

A expectativa pelo veredito cresce, especialmente após o júri afirmar, em bilhete enviado ao juiz Arun Subramanian na tarde de segunda (1º), que já chegou a uma conclusão sobre quatro das acusações, as duas de tráfico sexual e as duas de transporte com intenção de promover a prostituição, segundo a BBC. A única pendência é a mais grave: a acusação de associação criminosa, que, se confirmada, pode levar Combs à prisão perpétua.

No entanto, o caminho até essa decisão não tem sido simples. Um primeiro impasse surgiu logo no início da deliberação, quando jurados expressaram preocupação com a conduta de um dos jurados, sugerindo que ele poderia estar se recusando a seguir as instruções legais. O juiz reforçou a obrigação de todos em manter o compromisso com as orientações da corte, e o grupo seguiu com a análise.

No fim do dia, um novo bilhete indicou outra dúvida técnica. Os jurados pediram esclarecimento sobre se o ato de uma pessoa pedir uma substância controlada e outra entregá-la poderia configurar distribuição de drogas, tema relevante para uma das acusações ligadas ao tráfico sexual. A resposta do tribunal será entregue na manhã desta terça, antes da retomada das deliberações.

Combs, de 55 anos, é acusado de comandar por décadas uma rede de abuso e exploração sexual, segundo a promotoria. As principais vítimas citadas no caso são Casandra “Cassie” Ventura, ex-namorada do rapper, e outra mulher que prestou depoimento sob o pseudônimo “Jane”. Ambas relataram anos de abusos, encontros sexuais forçados e uso de drogas, frequentemente organizados por Combs com auxílio de seguranças e funcionários próximos.

Durante os argumentos finais, a procuradora-assistente Christy Slavik classificou o artista como “líder de uma organização criminosa” que usava violência, vergonha e silêncio como ferramentas de controle. A promotoria ainda apresentou evidências como mensagens, gravações e vídeos de encontros que definem como “freak-offs”, as orgias sexuais organizadas e filmadas pelo réu.

A defesa, por sua vez, não chamou testemunhas e argumenta que as relações foram consensuais. Os advogados de Combs afirmam que as vítimas tinham motivações financeiras ou ressentimento e questionam a interpretação dos conteúdos apresentados.

Enquanto isso, Combs mantém a postura de negar todas as acusações. Na manhã de segunda-feira, antes do início das deliberações, o artista e familiares fizeram um círculo de oração na sala do tribunal, deram as mãos e oraram em silêncio. Em seguida, aplaudiram.

O veredito pode sair a qualquer momento a partir desta terça-feira (2). Caso o júri permaneça sem consenso sobre a acusação de associação criminosa, há possibilidade de impasse e até anulação parcial do julgamento, o que abriria espaço para novos desdobramentos jurídicos.

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