A Justiça de Minas Gerais converteu em preventiva a prisão em flagrante de Ritchie Glaycon Rodrigues Viana, de 27 anos, investigado pelo feminicídio da mãe, Jussara Maria Rodrigues da Cruz, de 54 anos, em Belo Horizonte. A decisão foi assinada nesta quarta-feira (24), pela Secretaria de Audiências de Custódia da Comarca da capital, e mantém o suspeito preso enquanto o caso segue em investigação.
Jussara foi encontrada morta dentro de casa na segunda-feira (22), em um apartamento na Região Noroeste de Belo Horizonte. Segundo a decisão judicial, policiais militares foram ao imóvel após relatos de que a vítima não era vista havia alguns dias e que familiares e conhecidos não conseguiam contato com ela.
Ao entrarem no apartamento, os militares encontraram o investigado no local. Conforme os autos, ele afirmou que havia matado a própria mãe e indicou o cômodo onde o corpo estava. A vítima foi encontrada decapitada no quarto.
Na decisão, o juiz Antônio Francisco Gonçalves homologou a prisão em flagrante e entendeu que havia elementos para manter o investigado preso preventivamente. O magistrado citou a gravidade concreta do crime e a necessidade de garantir a ordem pública.
O suspeito relatou, em interrogatório na fase policial, que mantinha uma relação difícil com a mãe. Ele também afirmou que possuía diagnóstico de esquizofrenia feito em Portugal e que não fazia acompanhamento psiquiátrico nem uso regular de medicação, apesar de já ter recebido orientação para tratamento.
A Justiça destacou que a informação sobre possível transtorno mental ainda precisa ser avaliada por perícia. Segundo a decisão, somente um laudo oficial poderá indicar eventual inimputabilidade ou semi-imputabilidade penal, ou seja, se o investigado tinha ou não capacidade de compreender o caráter ilícito do ato no momento do crime.
O juiz determinou que o suspeito receba atendimento médico e medicamentoso na unidade prisional, incluindo acompanhamento psiquiátrico, caso seja necessário. Também foi ordenado o acompanhamento do caso pelo Programa de Atenção Integral ao Paciente Judiciário.
Ritchie deverá permanecer acautelado no Centro de Apoio Médico e Pericial de Ribeirão das Neves até nova decisão judicial sobre sua condição de saúde mental. Após a conversão da prisão, os autos serão encaminhados ao juízo competente para continuidade do processo.

