João Pedro Stedile, líder do Movimento dos Sem Terra (MST), anunciou que o grupo vai iniciar invasões de propriedades em todos os Estados — além de manifestações e outras ações. A Jornada Nacional em Defesa da Reforma Agrária, também chamada de Abril de Lutas e Abril Vermelho, é realizada sempre nesse mês para lembrar a morte de 19 sem terra em conflito com policiais no estado do Pará, em 17 de abril de 1996.
Stedile disse que “o movimento fará muitas manifestações em defesa da reforma agrária, com movimentações em todos os Estados, sejam marchas, vigílias, ocupações de terras, as mil e uma formas de pressionar que a lei, a Constituição, seja aplicada, e que latifúndios improdutivos sejam desapropriados e entregues às famílias acampadas”.
O lema da campanha neste ano será “Contra a fome e a escravidão: por terra, democracia e meio ambiente”. Também será lançada uma ação de doação de alimentos, plantio de árvores e atividades de rua, como forma de denúncia ao modelo de produção do agronegócio, atualmente em vigor.
Em Pernambuco, na semana passada, o MST invadiu engenhos, cerca de 800 hectares, segundo eles, de terras improdutivas. Na Bahia, ao menos 800 produtores rurais, fazendeiros e pequenos produtores, se reuniram com o Sindicatos dos Produtores Rurais e estão acampados, em vigília, na tentativa de impedir a ocupação de suas terras.
Segundo a revista Veja, o MST já conseguiu nomear dois secretários em áreas estratégicas do governo Lula; uma delas é Kelli Mafort, coordenadora nacional do movimento, agora secretária de Diálogos Sociais e Articulação de políticas Públicas da Presidência da República.
Pouco depois foi a vez do coordenador de produção das cooperativas do MST, Milton José Fornazieri, que assumiu o cargo de secretário de Abastecimento, Cooperativismo e Soberania Alimentar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, mesmo presidindo uma ONG que está inadimplente com o Ministério da Agricultura.
Em Alagoas, cerca de 1.500 militantes do movimento invadiram a sede do Incra. A ideia é pressionar o governo petista a tirar o dirigente do órgão no Estado, que é primo do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Patriotas).

