A principal opositora de Nicolás Maduro, María Corina Machado, celebrou neste sábado (3) a captura do presidente venezuelano pelas forças dos Estados Unidos e afirmou que a Venezuela vive um momento decisivo rumo à liberdade e à transição democrática. Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025 declarou que o país está pronto para uma mudança de poder e para a reconstrução institucional após mais de uma década de chavismo.
No comunicado, María Corina afirmou que a captura de Maduro representa a aplicação da “justiça internacional” diante de crimes cometidos contra o povo venezuelano. “Vamos colocar ordem, libertar os presos políticos, construir um país excepcional e trazer nossos filhos de volta para casa”, escreveu a líder opositora, em tom de mobilização nacional.
Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram capturados neste sábado após uma ofensiva militar dos Estados Unidos que incluiu bombardeios em Caracas e em outras regiões da Venezuela. Segundo o governo norte-americano, o casal foi retirado do país e deverá responder à Justiça dos EUA por acusações relacionadas a narcotráfico e terrorismo.
Edmundo González anuncia que assumirá a Presidência
No mesmo pronunciamento, María Corina afirmou que Edmundo González Urrutia, candidato da oposição reconhecido como vencedor das eleições presidenciais de 2024 por governos e organizações internacionais, está pronto para assumir imediatamente a Presidência da República.
“Venezuelanos, estas são horas decisivas. Saibam que estamos prontos para a grande operação de reconstrução de nossa nação”, diz o texto divulgado pela opositora. González, segundo ela, deverá liderar o processo de transição e reorganização do Estado venezuelano.
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Sucessão constitucional segue indefinida
Apesar do discurso da oposição, a sucessão presidencial ainda é considerada incerta. Pela Constituição da Venezuela, em caso de afastamento ou queda do presidente, o poder deveria ser assumido pela vice-presidente Delcy Rodríguez, responsável pela política econômica do país. No entanto, o contexto da captura de Maduro e da ofensiva militar dos Estados Unidos levanta dúvidas sobre a aplicação prática do rito constitucional.
María Corina também convocou venezuelanos que vivem dentro e fora do país para uma nova mobilização nacional, afirmando que mais detalhes sobre os próximos passos serão divulgados em breve por seus canais oficiais.
Ataques e repercussão internacional
Além de Caracas, ao menos outras três regiões da Venezuela — La Guaira, Miranda e Aragua — teriam sido atingidas por ações militares norte-americanas. Os principais alvos, segundo os Estados Unidos, foram instalações militares, embora o governo venezuelano afirme que áreas civis também foram afetadas.
Nos Estados Unidos, a operação aprofundou a divisão política. Parlamentares do Partido Democrata afirmaram que o presidente Donald Trump não obteve autorização prévia do Congresso para a ação militar, o que, segundo eles, pode caracterizar ilegalidade do ataque sob a legislação americana.

