Site icon DeFato Online

MC Keiron: O funk itabirano em busca do sucesso

MC Keiron

Foto: Dalton Gonçalves/DeFato Online

Rafael Henrique, o MC Keiron, começou a sua carreira artística como dançarino, no Conselho Municipal do Bem-Estar do Menor (Combem), em Itabira. Numa etapa seguinte, ele migrou para a música. O funk e o rap tornaram-se os seus gêneros preferidos. A mistura de música com dança de rua pavimentou a sua carreira. MC Keiron salienta que os problemas sociais da comunidade e a superação pessoal são temas recorrentes em sua produção musical.

Essa opção está bastante clara nos punks “ Sua Hora Vai Chegar” e “My house”, as suas mais recentes criações, ambas disponíveis no Youtube.  MC Keiron está de malas prontas. Ele agora tentará um novo impulso para a sua trajetória, no Rio de Janeiro. Com a cara e a coragem. “Sempre foi com a cara e a coragem, e agora chegou a minha hora”, profetiza o cantor. Na semana passada, Rafael deu o seguinte depoimento para o quadro “Sala de Visitas” da TV DeFato (também no youtube). Confira.

MC Keiron bateu um papo com o jornalista Fernando Silva. Foto: Dalton Gonçalves/DeFato

DeFato:  Você é um artista jovem – praticamente no início de carreira – qual a sua motivação para a opção por esse gênero musical?

Rafael Henrique – MC Keiron: Então, essa minha referência já vem desde criança, com influência de o Bonde do Tigrão e, até mesmo, de Cidinho e Doca (autores do Rap da Felicidade). Então, quando eu era criança, escutava muito funk, escutava muito rap. Essas são as influências que eu tenho. O funk e o rap andam praticamente lado a lado. Essas referências fizeram com que, hoje, eu fizesse parte do funk. Mas as minhas referências sempre foram o funk e o rap. E eu já estou nessa cena, na verdade, desde 2008, sempre mesclando o funk com o rap, mas eu também sou dançarino, com a prática da dança de rua. E vou atuando, aqui na cidade, com a arte e a cultura. E eu procuro trabalhar sempre a música, a dança e a arte.

DeFato:  Percebe-se que a sua produção é bastante eclética, com funk, rap e dança de rua… 

MC Keiron: Eu tenho também o Michael Jackson como importante referência. A galera da minha idade sempre teve essas referências. Então, dentro dessas vertentes da música e da dança, eu procuro ser um artista cada vez mais completo.

DeFato: E aqui, em Itabira, já existe um público cativo desse gênero musical? Onde você se apresentava antes da pandemia?

MC Keiron:  Eu comecei a dançar no Combem. Na verdade, o envolvimento com o rap e o funk foi bem antes, mas começar a praticar a dança foi no Combem. Então, em 2008, comecei a fazer parte de um grupo de dança aqui da cidade, mas, em 2010, eu montei o meu grupo. E, a partir daí, comecei a atuar em vários bairros e na Praça Acrísio. Já fiz vários eventos no bairro Madre Maria de Jesus. Então, eu já tenho esse público, que gosta da minha música e da minha dança. Também já me apresentei em Belo Horizonte e cidades vizinhas, como São Gonçalo, Bom Jesus do Amparo, Santa Maria de Itabira e Ferros. Mas a pandemia atrapalhou muito, porque caiu o ritmo dos eventos. Mas agora a gente está voltando com tudo.

DeFato: A música “O Rap da Felicidade” é um misto de protesto pelas condições sociais da periferia e uma homenagem à comunidade (a favela Cidade de Deus, Rio de Janeiro), onde estão inseridos Cidinho e Doca, os autores da obra. O seu trabalho também tem essa conotação de denúncia social?

MC Keiron:  Sim, eu trabalho exatamente nesse contexto também, porque eu acho que o importante é estar sempre focado nessa questão social, porque vivemos uma desigualdade muito grande em todo o planeta, mas sabemos que no Brasil essa desigualdade é muito maior. Então, eu e outros artistas de Itabira temos um trabalho muito voltado para o social. Eu toco muito na questão da superação, porque isso motiva muito o ser humano. Eu sou um pouco de inspiração para muitos jovens e até para algumas pessoas mais velhas. 

DeFato: O funk, e consequentemente os trabalhos dos MC(s), teve uma exposição mundial, quando serviu de inspiração para a apresentação da ginasta Rebeca Andrade. A coreografia valeu a primeira medalha (de prata) individual geral em ginástica artística para o Brasil. O “Baile na Favela” é uma obra do MC João. Qual a sua avalição sobre essa parceria do funk com a ginástica artística?

MC Keiron: Eu fico grato e feliz demais, porque o funk é uma cultura que ainda é muito discriminada no Brasil, embora tenha se expandido, o que é uma coisa muito boa para a gente, mas a discriminação ainda existe. E é muito importante quando algumas pessoas levam essa cultura para lugares deferentes, porque isso dará uma visibilidade boa. Isso serve para mostrar o real   funk para a galera, e não o que certas pessoas falam por aí. Então, sou muito grato a Rebeca e me sinto muito feliz com o sucesso dela. O importante é colocar o funk lá em cima, na mesma posição do sertanejo e os outros estilos musicais. Porque, como você diz, não há culturas melhores ou piores, mas apenas culturas diferentes.   

DeFato: E você já vivenciou algum tipo de discriminação por conta de sua opção cultural?

MC Keiron: Claro, isso acontece o tempo todo. O estilo da gente, o funk e o rap, até mesmo pelo tipo de roupa que a gente usa. Esse estilo chama muito a atenção. Geralmente são muitas tatuagens e brincos. Tudo isso acaba gerando um preconceito. É gente que chega, que fala e aponta. Mas hoje, particularmente, aceito de uma forma tranquila. Eu sei aonde quero chegar. Esses ataques só me fortalecem porque sou um cara bem resolvido, mas é algo (a discriminação) muito desagradável. 

DeFato: E qual é o seu comportamento diante de um insulto?

MC Keiron: Olha, cara, é algo muito desagradável. O insulto é uma situação que ninguém quer passar por ela. Principalmente, quando alguém está mexendo com algo que você gosta. Hoje, eu sou um cara bem tranquilo e sou mais pelo diálogo. Eu acho que o diálogo é o melhor para se resolver tudo. Mas, quando vejo que a coisa pode sair do controle, eu prefiro evitar o pior. É melhor deixar pra lá. 

DeFato: Você agora está partindo para outros horizontes, além de Itabira. Vai em  busca de uma nova trajetória para a sua carreira, no Rio de Janeiro. Você já tem algum planejamento para esse voo mais alto ou vai para Cidade Maravilhosa apenas com a cara e a coragem?

MC Keiron: Então, eu fechei com uma produtora, a JBC Produções, que está me lançando. Vou chegar no Rio com os contatos, já tenho onde ficar para realizar os meus trabalhos, já está tudo definido. Sempre fui com a cara e a coragem e agora chegou a minha hora. Estou trabalhando com uma equipe muito profissional, sem comparação.

DeFato: E quais são as suas mais recentes produções artísticas?

MC Keiron: Eu tenho dois trabalhos atuais, na minha volta. Eu dei uma parada com a música, em 2014, e fiquei mais na dança, mas não deixei de escrever, continuei produzindo músicas. Aí eu tive o contato com esse produtor, que é da JBC Produções, trabalhamos em conjunto e isso possibilitou a gravação da música “Sua Hora Vai Chegar”, que está disponível no Youtube. É um funk que fala de superação, de melhoria para a vida da gente. Mas tem o meu último lançamento, o “My House”, que também está disponível no Youtube, podem dar uma conferida lá.

Exit mobile version