As eleições legislativas na Argentina, realizadas neste domingo (26), confirmaram a vitória do partido do presidente Javier Milei, ‘La Libertad Avanza’, que conquistou 40,8% dos votos para a Câmara dos Deputados.
A coalizão Fuerza Patria de oposição peronista obteve 24,5% dos votos.
A informação é de Guillermo Franco, chefe do gabinete de ministros.
As eleições legislativas no meio do mandato presidencial são de extrema importância para Milei, que com o resultado reforça sua base parlamentar que tinha, até então, 15% dos deputados e 10% dos senadores.
O resultado é também importante para a margem de manobra do governo e sua capacidade de reformar e regular a ainda frágil economia nos dois anos restantes do seu mandato.
A participação eleitoral foi a mais baixa desde o retorno da democracia, em 1983, segundo o jornal Clarín, com somente 67,92% dos eleitores indo às urnas e uma abstenção de 32,08%.
O historiador Eduardo Sartelli, da Universidade de Buenos Aires, disse à Veja, que “a prisão em junho da ex-presidente Cristina Kirchner, condenada por corrupção, esvaziou o campo adversário à esquerda, o que vem fortalecendo Milei”.
Milei, por sua vez, comemorou a surpreendente vitória legislativa, que ocorreu em meio à instabilidade cambial que desafia o seu programa ultraliberal, amparado por um aporte financeiro dos Estados Unidos, de US$ 20 bilhões.
“Povo argentino optou pelo progresso” e “tornar a Argentina grande outra vez”, comemorou Milei, parafraseando Donald Trump.
“O povo argentino deixou a decadência para trás e optou pelo progresso. Hoje passamos por um ponto de virada. Hoje começa a construção de uma grande Argentina”, disse, após o resultado das urnas.
Entre os agradecimentos pela vitória, estava a irmão do presidente, Karina, que é também secretária-geral da Presidência e foi alvo de acusações de corrupção, e seu estrategista político, Santiago Caputo chamando-os de “dois gigantes”.
“Milei, querido, o povo está contigo”, cantavam seus apoiadores em frente ao bunker do seu partido em Buenos Aires.
O resultado dá um alívio às finanças argentinas, depois de Trump condicionar o empréstimo ao país ao resultado positivo nas eleições.
O resultado renovou 127 das 257 cadeiras da Câmara dos Deputados, quase a metade da Corte, além de 24 senadores (um terço do parlamento), entre os 72 assentos que tomarão posse a partir de 10 de dezembro.
Às 22h50, com 98,87% de apuração, o Liberdade Avança obteve 40,76% do total de votos apurados e elegeu 64 deputados nacionais. O Força Pátria, representante peronista, conseguiu 24,31% dos votos e ficou com 31 vagas de deputados.
O sistema eleitoral argentino é por listas fechadas, quando os eleitores não votam em um candidato, mas em um partido ou uma coalizão.
Milei chegou à vitória sob pressão política e financeira, mesmo reduzindo drasticamente a inflação, mas ao custo de dezenas de milhares de empregados demitidos, da redução do consumo e do colapso da indústria.
Milei também cortou aposentadorias e os orçamentos da saúde e educação, provocando protestos, reprimidos com mão de ferro.
Caso não saísse vitorioso nesse pleito, a expectativa era a de desvalorização do dólar.
*Fonte: Veja/UOL

