“Negar um abraço às minhas filhas é uma das ações que tenho que fazer algumas vezes”. Esse é o relato do médico e diretor técnico do hospital, Marcos André Câmara. Ele é pai de duas garotas: Gabriela, de 16 anos e de Camilla, de 22 anos. Em uma conversa com a reportagem da DeFato, Marcos André destacou: “Minhas filhas entendem minha missão: sou médico e salvo vidas!”. Confira o depoimento do médico:
“Estamos vivendo tempos muito difíceis. Os profissionais de saúde, e me incluo porque sou médico e pai, tem duas responsabilidades. Temos responsabilidade com a vida das pessoas que cercam a gente, dos pacientes e doentes. Temos obrigação de tentar recuperá-los da doença. E a segunda missão é ser pai.
Como pai temos que dar amor, prover nossos filhos, dar carinho e ter aproximação, mas quando possível. As duas missões, atualmente, não combinam muito. Ser pai é dar beijo, abraçar, dar carinho. Mas quem está na linha de frente, como médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, todos que trabalham na área da saúde, por enfrentar essa ameaça que já matou mais de 100 mil pessoas, tem que se afastar do contato físico. Tem que chegar em casa, tirar a roupa toda para evitar contaminar quem a gente ama. Por vezes, o filho vir e termos que negar o abraço é difícil, mas necessário.
Sou médico, tenho que enfrentar a doença, e sou pai, sem por vezes poder externar sempre o que podemos. Mas vamos convivendo, conversa, diálogo. Tentamos explicar aos filhos a nossa missão e, na maioria das vezes, eles compreendem. Minhas filhas entendem minha missão: sou médico e salvo vidas!
Feliz Dia dos Pais a todos”.

