O ministro da Justiça, Flávio Dino, utilizou as redes sociais para criticar a fala do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que defende uma união dos estados do Sul e Sudeste contra os estados do Norte e Nordeste brasileiro. No Twítter, Dino diz ser ”um absurdo que a extrema-direita esteja fomentando divisões regionais. Precisamos de um Brasil forte e unido.”
”Está na Constituição, no artigo 19, que é proibido criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si. Traidor da Constituição é traidor da Pátria, disse Ulysses Guimarães’’, finaliza Dino.
Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, no sábado (5), Zema defendeu um consórcio entre os estados do Sul e Sudeste para fazer frente, no Congresso Nacional, de perdas econômicas em resposta aos estados do Norte e Nordeste. Zema já havia feito declarações nesse sentido recentemente, provocando a indignação, principalmente, em políticos de esquerda, como Ivan Valente e Guilherme Boulos, deputados federais pelo Psol.
Em uma nota assinada pelo governador da Paraíba, João Azevedo (PSB), presidente do Consórcio Nordeste e que representa os outros oito chefes de executivos estaduais da região, Zema recebeu duras críticas pela proposta.
Veja a carta do Consórcio Nordeste
Indicar uma guerra entre regiões significa não apenas compreender as desigualdades de um país de proporções continentais, mas, ao mesmo tempo, sugere querer mantê-las, mantendo, com isso, a mesma forma de governança que caracterizou essas desigualdades”.
Governadores do Nordeste ressaltam que “o Brasil só vai dar certo se todos apostarmos no combate às desigualdades, respeitando as diversidades e apostando na sustentabilidade e acreditando no seu povo.
Prossegue a nota: Negando qualquer tipo de lampejo separatista, o Consórcio Nordeste imediatamente anuncia em seu slogan que é uma expressão de “o Brasil que cresce unido”.
“Enquanto Norte e Nordeste apostam no fortalecimento do projeto de um Brasil democrático, inclusivo e, portanto de união e reconstrução, a referida entrevista parece aprofundar a lógica de um país subalterno, dividido e desigual. O objetivo dos consórcios é fortalecer essas regiões, unindo os estados em torno da cooperação e compartilhamento de melhores práticas e soluções de problemas comuns, buscando contribuir com o desenvolvimento sustentável e a mitigação de nossas desigualdades regionais”.
Na entrevista, Zema defende uma ação conjunta para frear prejuízos. Outras regiões do Brasil, com estados muito menores em termos de economia e população, se unem e conseguem votar e aprovar uma série de projetos em Brasília. E nós, que representamos 56% dos brasileiros, mas que sempre ficamos cada um por sí, olhando só o seu quintal, perdemos.
Ficou claro nessa reforma tributária que já começamos a mostrar nosso peso. Já passou da hora de o Brasil enxergar o Nordeste como uma região capaz de ser parte ativa do alavancamento do desenvolvimento econômico do país e, assim, contribuir ativamente com a redução das desigualdades regionais, econômicas e sociais. Apelamos pela união nacional em torno da reconstituição de áreas estratégicas para o nosso país, a exemplo da economia, segurança pública, educação, saúde e infraestrutura.

