O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou o que chamou de “ativismo judicial” e defendeu que um “bom juiz deve ser reconhecido por suas decisões, e não pelo medo”. A declaração foi feita durante o Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro, um evento que reuniu empresários e investidores nesta sexta-feira (22).
Em sua fala, o magistrado ressaltou que o Estado de direito também depende da capacidade dos cidadãos de “expor suas ideias sem serem perseguidos por suas falas públicas ou de terem suas falas privadas expostas de maneira ilegítima”. Embora não tenha mencionado nomes diretamente, a fala ocorreu no mesmo dia em que o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, foram indiciados por coação e obstrução do processo legal, em uma investigação que incluiu a exposição de trocas de mensagens entre os dois.
O evento também contou com a presença de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, que defendeu o ex-presidente Bolsonaro. Costa Neto minimizou as críticas recentes feitas pelos filhos do ex-mandatário a governadores de direita considerados presidenciáveis.
Em sua fala, o político comentou sobre a perseguição que Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar, estaria sofrendo, afirmando que a situação o tem “destruído pessoalmente”. Ele tentou suavizar o atrito gerado na semana anterior, quando o vereador Carlos Bolsonaro, com o apoio de Eduardo Bolsonaro, criticou governadores, chamando-os de “ratos” que tentavam, de forma “oportunista”, herdar o espólio político de seu pai.
“Às vezes, nós nos deparamos com problemas na família, algum desentendimento porque é muito duro. Você vê o seu pai sofrer dessa maneira como, por exemplo, aconteceu essa semana passada, que fizeram uma crítica grande aos candidatos que estão se colocando candidatos à presidência da República. Todos são parceiros nossos, todos são os melhores aprovados no Brasil”, disse Costa Neto, referindo-se à situação familiar e ao atrito político.
Ao final de seu discurso, Mendonça foi aplaudido pela plateia, que incluía líderes políticos como Antônio Rueda (União Brasil), Ciro Nogueira (PP) e o próprio Valdemar Costa Neto.

