Tradicionalmente, na Igreja Católica, o mês de outubro é dedicado à missão. É tempo de recordar que a Igreja não é uma comunidade fechada, mas é enviada a todos os povos, cumprindo o mandato de Cristo: “Ide e fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28,19). A Igreja, neste mês, costuma inserir reflexões sobre justiça social, ecologia e diálogo entre culturas, pois a missão cristã se entrelaça com o cuidado da dignidade humana e da criação.
A palavra “missão” designa o envio para cumprir uma tarefa. Na esfera cristã, missão inclui “tarefa”, “envio”, “testemunho”, “diálogo” e “evangelização”. A natureza missionária da Igreja tem sua origem no envio do Filho e na missão do Espírito Santo, segundo o desígnio de Deus Pai (cf. Ad Gentes 2 – Para as Nações). Sua estrutura é trinitária, porque ela é “Povo de Deus”, “Corpo do Senhor” e “Templo do Espírito Santo” (Lumen Gentium 17 – Luz dos Povos).
A Campanha Missionária de 2025 no Brasil, adota o tema: “Missionários da esperança entre os povos” e o lema “A esperança não decepciona” (Rm 5,5), em sintonia com o Jubileu da Esperança convocado para este ano. Esse tema recorda que o missionário é chamado a ser portador de uma esperança fundada em Cristo, especialmente em meio a tantas dificuldades humanas e sociais. A mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões 2025 sublinha que a vocação missionária é inseparável da missão da esperança, e exorta cada batizado a “arder de santo zelo por uma nova ação evangelizadora”.
A tradição do Mês Missionário tem raízes históricas, nas iniciativas de promoção missionária da Igreja, especialmente com as Pontifícias Obras Missionárias (POM), fundadas em 1922 sob o pontificado de Pio XI, e com a instituição do Dia Mundial das Missões, em 1926. O Dia Mundial das Missões nasceu da encíclica Rerum Ecclesiae – (Das coisas da Igreja), em que Pio XI expressou que a missão é fim constitutivo da Igreja. No contexto de 2025, o Jubileu da Esperança, iniciado em 24 de dezembro de 2024 e que se estenderá até janeiro de 2026, o mês das missões reforça que a missão não é apenas atividade ocasional, mas dimensão vital da identidade cristã, à qual convida todos os batizados a colaborarem, cada um segundo seus dons, na construção de uma igreja que caminha, compartilha, sonha e gera esperança para todos os povos.
A missão é de Deus na qual somos convidados a cooperar como Igreja em Saída. Em virtude do batismo recebido, cada membro do povo de Deus tornou-se discípulo missionário, é um sujeito da evangelização e tem obrigação e goza do direito, individualmente e em comunidade, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra.
Ser missionário é levar a mensagem do Evangelho a todas as pessoas que precisam conhecer Jesus. Somos convidados a cumprir essa missão.
Sobre o colunista
Padre Hideraldo Verissimo Vieira é pároco na Paróquia São João Batista – João XXIII, em Itabira, e licenciado em Filosofia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com especialização em Ensino Religioso pela PUC Minas.

