Mobilização popular pressiona Estado por pavimentação da MG-326 entre Catas Altas e Fonseca

Os manifestantes destacaram que, após chuvas, a pista se tornava tomada por lama e buracos, dificultando o tráfego e aumentando o risco de acidentes

Mobilização popular pressiona Estado por pavimentação da MG-326 entre Catas Altas e Fonseca
Foto: Divulgação

Moradores do distrito de Fonseca, em Alvinópolis, intensificaram nas últimas semanas a mobilização pela pavimentação do trecho da MG-326 que liga Catas Altas ao distrito. A reivindicação, segundo lideranças locais, já dura cerca de 40 anos e volta a ganhar força após paralisações, audiência pública e cobrança direta ao Governo de Minas.

Em nota, o Estado informou que o projeto de engenharia está em andamento e deve ser concluído no primeiro semestre, mas não confirmou previsão orçamentária para o início das obras.

O trecho em questão tem aproximadamente 13 quilômetros e representa a principal ligação de Fonseca com Catas Altas e com a sede de Alvinópolis. Atualmente, a via não é asfaltada, o que, segundo os moradores, compromete a segurança, dificulta o acesso a serviços básicos e aumenta o tempo de deslocamento.

Nova manifestação está marcada

A mobilização ganhou novo capítulo com a convocação de um ato público para o próximo dia 16 de março. A comunidade anunciou o fechamento da MG-326 e da MG-129, no Trevo da Lagoa Guardamol, como forma de pressionar o Estado por respostas concretas.

De acordo com o comunicado divulgado à população: “Atenção, população de Fonseca. Convocamos toda população para o fechamento da MG-326 e MG-129, no Trevo da Lagoa Guardamol. Estamos mobilizando uma manifestação pacífica.”

A concentração está prevista a partir das 7h da manhã.

Protestos anteriores expõe descaso com estrada

A mobilização deste ano leva em conta uma série de protestos já registrados anteriormente. Em 5 de maio de 2025, usuários da MG-326 promoveram um bloqueio da rodovia, no trecho de acesso de Fonseca, em protesto contra as condições precárias da pista. Na ocasião, moradores exibiam faixas com as inscrições:

  • “O DER-MG abandonou a MG-326”
  • “Não aguentamos mais o descaso do DER-MG com a MG-326”
  • “Fonseca pede socorro. Queremos asfalto urgente”

Os manifestantes destacaram que, após chuvas, a pista se tornava tomada por lama e buracos, dificultando o tráfego e aumentando o risco de acidentes — uma realidade que se repete ciclo após ciclo.

Requrimentos protocolados na ALMG

A pressão legislativa também tem avançado nos últimos anos. Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) há registros de proposições que tratam do asfaltamento e melhorias da MG-326, desde o ano passado.

Apesar do avanço, a principal preocupação agora é a execução da obra. “Essa promessa é antiga, era pra ser em 2024, passou pra 2025”, afirmou um morador do distrito, que acompanha as discussões desde o início da mobilização mais recente.

Segundo integrantes do movimento, a única informação oficial recebida até o momento é de que ainda não há recurso garantido para a execução da pavimentação.

Além da mobilização de rua e dos pedidos à ALMG, moradores impulsionaram um abaixo-assinado virtual que já reúne centenas de assinaturas.

Distância e insegurança

Fonseca está a cerca de 32 quilômetros da sede de Alvinópolis e a aproximadamente 28 quilômetros do hospital mais próximo. Para os moradores, a ausência de asfalto aumenta o tempo de resposta em situações de emergência e traz insegurança, especialmente em períodos de chuva.

Lideranças locais também argumentam que o distrito possui população expressiva e que a infraestrutura atual não acompanha o crescimento da comunidade. “Só queremos que nos deem o direito de ir e vir”, reforçam.

Foto: Divulgação

Pedido para inclusão em municípios atingidos

Outro ponto levantado pelo movimento é o pedido de nova audiência pública para que a Comissão Interestadual Parlamentar de Estudos para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Rio Doce (Cipe Rio Doce) inclua o distrito entre os territórios atingidos pelos impactos relacionados à barragem de Fundão, da mineradora Samarco.

Moradores argumentam que toneladas de areia teriam saído de Fonseca para atender demandas relacionadas à barragem, o que reforçaria a necessidade de compensações estruturais para a região.

O que diz o Estado

Em resposta à reportagem do Portal DeFato Online, o Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) informou, por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade, que o projeto de engenharia está em andamento.

“O Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER/MG) informa que o projeto de engenharia para a pavimentação da MG-326, no trecho que liga Catas Altas a Alvinópolis, passando pelo distrito de Fonseca, está em andamento. A previsão de conclusão é para este primeiro semestre.”

O órgão, no entanto, não informou se há previsão orçamentária definida para o início das obras.