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Morre Milton Naves, narrador símbolo da Itatiaia e dono do inesquecível “Show de Bola”

Morre Milton Naves, narrador símbolo da Itatiaia e dono do inesquecível “Show de Bola”

Foto: Reprodução/Redes Sociais

O jornalismo esportivo amanheceu mais silencioso neste sábado (16). Morreu, aos 67 anos, em Belo Horizonte, o narrador e apresentador Milton Naves, uma das vozes mais emblemáticas da história da rádio esportiva em Minas Gerais. Reconhecido pela narração precisa, pela imparcialidade e pelo inesquecível bordão “Show de Bola”, Milton construiu uma trajetória que atravessou gerações e marcou profundamente o rádio brasileiro.

Natural de Ilicínea, no Sul de Minas, Milton Amaral Naves nasceu em 26 de dezembro de 1958. Ainda criança, mudou-se com a família para Alfenas, onde começou a alimentar o sonho de trabalhar no rádio. Desde cedo, demonstrava paixão pelo esporte e pelas transmissões esportivas — paixão que o acompanharia por toda a vida. Era comum iniciar suas narrações com a frase que virou sua assinatura afetiva: “Estou fazendo o que gosto, transmitindo um jogo de bola”.

A estreia profissional aconteceu muito cedo. Aos 17 anos, venceu uma seleção concorrida para trabalhar na Rádio Cultura de Alfenas, superando dezenas de candidatos universitários. Em 1977, narrou a primeira partida da carreira: um amistoso entre Flamengo e Caldense, na inauguração do Estádio Francisco Leite Vilela. Naquele dia, descreveu os lances de nomes históricos do futebol brasileiro, como Júnior, Carlos Alberto Torres, Adílio e Tita — sem imaginar que, anos depois, também se tornaria um nome histórico.

O talento chamou atenção rapidamente. Em 1979, foi contratado pela Rádio Guarani, em Belo Horizonte. Pouco tempo depois, chegou à Rádio Itatiaia, emissora onde consolidou sua carreira e se transformou em referência nacional da narração esportiva. Durante décadas, Milton Naves foi mais do que um narrador: foi companhia fiel dos torcedores, voz de domingos de futebol e responsável por transformar partidas em verdadeiras histórias contadas ao ouvido.

Com uma narração técnica e envolvente, Milton tinha a capacidade rara de “desenhar” o jogo para quem escutava. Em tempos em que o rádio era o principal elo entre o torcedor e o estádio, sua voz potente atravessava cidades, estradas e casas, criando memórias afetivas para milhares de ouvintes.

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