O jornalismo brasileiro perdeu nesta terça-feira (2) um de seus nomes mais emblemáticos. Morreu, aos 91 anos, o jornalista ítalo-brasileiro Demetrio Carta, conhecido como Mino Carta. O falecimento foi confirmado pela Carta Capital, revista fundada por ele em 1994 e que se tornou referência pela crítica ao poder político e econômico no País.
Nascido em Gênova, na Itália, em 6 de setembro de 1933, Mino Carta veio para o Brasil em 1946, acompanhado da família, que havia enfrentado perseguições durante o fascismo. No País, encontrou sua vocação no jornalismo e se tornou um dos profissionais mais influentes da imprensa nacional, conhecido pela coragem editorial e pelo estilo inconfundível de escrita.
Ao longo da carreira, foi responsável pela criação de veículos que marcaram época. Foi um dos idealizadores do Jornal da Tarde e dirigiu as revistas Quatro Rodas, Veja e IstoÉ, além de fundar a Carta Capital, onde manteve até recentemente colunas semanais e editoriais que refletiam sua visão crítica da sociedade brasileira.
Mino Carta era conhecido pela postura combativa diante do poder, pela desconfiança em relação às elites e pela defesa intransigente de que o jornalismo deve servir à verdade. Mesmo em tempos de transformações tecnológicas, nunca abandonou sua clássica máquina de escrever Olivetti, símbolo de uma trajetória que uniu tradição e ousadia.
Figura central na imprensa, seu legado ultrapassa as redações. Mais do que fundar veículos, Mino Carta ajudou a moldar a forma como o jornalismo se posiciona diante dos desafios políticos e sociais do Brasil, sempre com independência e espírito crítico.

