O mundo do rock perdeu uma de suas maiores lendas nesta terça-feira (22). Ozzy Osbourne, vocalista do Black Sabbath e ícone do heavy metal, morreu aos 76 anos. Conhecido como “Príncipe das Trevas”, o músico britânico estava cercado pela família no momento da morte, conforme comunicado oficial divulgado pelos familiares. A causa não foi revelada.
“É com mais tristeza do que meras palavras podem expressar que informamos que nosso amado Ozzy Osbourne faleceu esta manhã. Ele estava com sua família e cercado de amor. Pedimos a todos que respeitem a privacidade da nossa família neste momento”, diz o texto assinado por Sharon, Jack, Kelly, Aimee e Louis Osbourne.
Nascido John Michael Osbourne em 1948, em Birmingham, na Inglaterra, Ozzy transformou sua trajetória de infância difícil em uma das carreiras mais notórias da história da música. Fundador do Black Sabbath em 1968, ao lado de Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward, ajudou a criar as bases do heavy metal com álbuns históricos como “Black Sabbath” (1970), “Paranoid” (1970), “Master of Reality” (1971) e “Sabbath Bloody Sabbath” (1973).
Carreira solo e o “Príncipe das Trevas”
Após deixar o Black Sabbath em 1979 por conta do abuso de álcool e drogas, Ozzy iniciou uma carreira solo de sucesso. Seu álbum de estreia, “Blizzard of Ozz” (1980), trouxe hits como “Crazy Train” e “Mr. Crowley”. Ao longo da carreira, lançou 13 discos solo, misturando peso, teatralidade e carisma em performances que marcaram o rock.
Entre seus momentos mais icônicos está o episódio em que mordeu a cabeça de um morcego lançado ao palco por um fã — fato que consolidou sua persona transgressora e polêmica, embora Ozzy insistisse que tudo não passava de “teatro”. Em 1985, ao se apresentar no Rock in Rio, chegou a criticar o rótulo de satanista: “Faço música para divertir as pessoas. Minha imagem é teatral, como o carnaval”.
Apesar das polêmicas — incluindo processos arquivados por suposta incitação ao suicídio e uma tentativa de estrangulamento de sua esposa, Sharon, em 1989, sob efeito de álcool — Ozzy manteve-se uma figura central no rock. Ele e Sharon se reconciliaram e transformaram a imagem da família em um reality show de sucesso: “The Osbournes” (2002-2005), exibido na MTV americana.
Legado e despedida
Diagnosticado com Parkinson em 2019, Ozzy enfrentava sérios problemas de saúde nos últimos anos, incluindo cirurgias na coluna e dificuldades de locomoção. Ainda assim, surpreendeu os fãs ao realizar seu último show em 5 de julho deste ano, com o Black Sabbath, em sua cidade natal. A apresentação foi transmitida pela internet para milhares de fãs ao redor do mundo.
Entre seus últimos grandes feitos estão a realização do festival Ozzfest e o álbum “No More Tears” (1991), considerado um marco por suas letras introspectivas e o reconhecimento da crítica, incluindo um Grammy por “I Don’t Want to Change the World”.
Ozzy deixa seis filhos — Aimee, Kelly, Jack, Jessica, Louis e Elliot — e sua esposa, Sharon Osbourne, com quem dividiu boa parte de sua vida pessoal e profissional. Fãs e músicos do mundo todo prestam homenagens ao homem que redefiniu o rock pesado e personificou o heavy metal como poucos.

