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Mortes em megaoperação no Rio de Janeiro passam de 130; ação é a mais letal da história do estado

Mortes em megaoperação no Rio de Janeiro passam de 130; ação é a mais letal da história do estado

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O número de mortos após a megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, subiu para 132, segundo a Defensoria Pública do Estado. Deste total, 128 seriam civis e quatro policiais militares. Os dados oficiais do governo estadual, porém, apontam até o momento 64 mortes e 81 prisões. A ação, realizada entre segunda-feira (28) e terça-feira (29), é considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro.

Na manhã desta quarta-feira (29), moradores do Complexo da Penha levaram ao menos 70 corpos até a Praça São Lucas, na tentativa de chamar atenção para a dimensão da tragédia. As vítimas foram encontradas em uma área de mata entre os complexos da Penha e do Alemão, onde ocorreram os confrontos mais intensos. Segundo relatos, os corpos apresentavam marcas de tiros na nuca, facadas e sinais de tortura.

A advogada Flávia Fróes, que acompanha os moradores, classificou a ação como “o maior massacre da história do Rio de Janeiro”. Ela e defensores de direitos humanos solicitaram à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) a presença de interventores e peritos internacionais para investigar as mortes.

A cena na Praça São Lucas foi descrita como “de horror” por testemunhas. Moradores, em prantos, tentavam reconhecer parentes e amigos. “Dava tempo de socorrer”, lamentou a mãe de um dos jovens mortos. Um dos corpos foi encontrado sem cabeça, e outro, com as mãos cerradas, segurando grama.

De acordo com o ativista Raull Santiago, a exposição dos corpos foi um ato de protesto das famílias, que exigem respostas das autoridades. “É uma cena que entra para a história de terror do Brasil”, afirmou.

A operação, segundo o governo estadual, tinha como objetivo prender líderes do Comando Vermelho e cumprir 69 mandados de prisão em 180 endereços. O balanço oficial aponta 81 prisões e mais de 100 fuzis apreendidos. Durante os confrontos, criminosos usaram drones para lançar explosivos e ordenaram o fechamento de vias em diversas regiões da cidade, transformando o Rio em um cenário de guerra.

Até o momento, o governo estadual não se pronunciou sobre o novo número de mortos relatado pela Defensoria Pública e pelos moradores do Complexo da Penha.

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